UOL Cinema

Cuba na Cam

30/11/2009

Cine de horror

A semana foi dura. Trabalhamos muito para o taller de produção. Como diretor de arte do meu grupo, tive que fazer uma proposta estética e decupar todo o roteiro do curta-metragem “El loro”, trazido pelo professor. Além disso, precisamos calcular todo o presupuesto da película, e apresentar um pitch na sexta-feira. Meu grupo foi dos melhores. Depois das apresentações, assistimos ao verdadeiro “El loro”, primeiro curta dirigido pelo já reconhecido roteirista argentino Paulo Solar. O curta tem lá seus bons momentos...

Mas a semana foi boa mesmo por conta da volta da minha linda Ruth Goldberg, que dessa vez veio dar seu curso de Cine de Horror. Começamos aprendendo que o cine de horror trabalha, principalmente, em 4 níveis. Nível cultural: expressa os medos e ansiedade de uma sociedade e, através de análises de filmes, podemos notar como a noção de monstruosidade muda de cultura para cultura, e dentro próprio tempo histórico. “Filmes de terror são pesadelos de uma cultura”. Nível autoral: o que o filme expressa dos medos de seu autor. Nível psicoanalítico: os processos inconscientes que o filme expressa, os conflitos não resolvidos do protagonista – o filme de horror pode ser encarado como um sonho que sonha seu protagonista. O nível pessoal: o que o filme nos ensina sobre nós mesmos como espectadores, como artistas e como membros de uma cultura.

O primeiro filme que vimos foi “Peeping Tom”, de 1959, de Michael Powell. Um filme que me pareceu regular, mas que trabalha muito bem a idéia de voyerismo, o ato de olhar, que é central para o cinema. A peli gira em torno de um psicopata que filma suas víctimas enquanto as mata com uma faca presa ao tripé de sua câmera. O filme, que tem muito a ver com “Psicose”, trabalha muitas idéias recorrentes em cine de horror: patologia que começa na família, o passado que nunca está realmente no passado, mas sempre presentificado como uma memória que assombra. Por isso, a idéia de casa mal assombrada é tão recorrente nesses filmes, por que é um símbolo para traumas familiares. “Peeping Tom” usa a metalinguagem para deixar claro que o ato de olhar é em parte sádico e que nós, como audiência, também estamos compactuando dos assassinatos que assistimos.

Na terça-feira assistimos a obra-prima – e não apenas obra-prima do gênero de horror, mas sim uma verdadeira obra-prima – “The Texas Chainsaw Massacre” ou “o Massacre da Serra Elétrica” , de Tob Hope. No debate, a obra foi analisada de diversas maneiras. A maneira que mais me pareceu interessante foi como metáfora nacional – temática que Ruth estuda. O filme trata de um grupo de jovens que – como em João e Maria – se perdem na busca da casa da sua família, a qual eles sequer sabem onde está. O filme está sempre jogando com a idéia desses EUA perdido, que não encontra suas raízes, e também com a constante imagem do matadouro de vacas, que remete a essa economia gigante que passa por cima de todos e industrializa a morte. Há uma cena, em que um dos jovens é assassinado, em que se escuta uma canção vietnamita ao fundo, remetendo a guerra do Vietnã que ainda não havia acabado. Outro de muitos fatores interessantes desse filme é que a protagonista se salva por acaso – a imagem dos horóscopos está presente desde o início do filme como metáfora do destino– e não por que ela aprendeu algo durante a sua jornada, ou por ter sido a mais moral do grupo. Ela, inclusive, maltrata seu irmão que anda de cadeira de rodas. Ou seja, o filme inverte a idéia de que é preciso aprender para sobreviver. Para Ruth, Leatherface -  que apesar de retrasado mental é o provedor da família canibal – é a imagem do americano reprimido e, para ela, o filme é uma grande meditação sobre a perda do controle, uma das maiores obsessões americanas, e de como todos que sobrevivem às atrocidades serão para sempre modificados. Cada vez que vejo a cena final, me pergunto como a atriz pode ter atuado tão bem sem estar louca. Foi a primeira vez em 13 anos que Ruth deu uma aula inteira em espanhol sem tradutores.

Na quarta-feira, outra obra prima: “Possession”, com Isabelle Adjani – em atuação inesquecível – e Sam Neil. Um dos filmes de horror mais originais e imprevisíveis – uma espécie de Tarkovski do terror, onde, com certeza, bebeu muito David Linch.

Na quinta, assistimos a “The Ring”, a versão original japonesa. Não gostei do filme, muitos diálogos explicativos. Não me emocionou. Mas as metáforas são boas de discutir. A idéia da propagação tecnológica, o conflito Japão tradicional – representado pela família fantasma – e Japão moderno – representado pela família viva e disfuncional, um mundo alienado onde ninguém se fala até que seja indispensável, etc. Ruth vê o final do filme de uma maneira positiva – embora muitos vejam de maneira negativa: para que ninguém morra, a fita maldita precisa ser copiada e apresentada, e novamente copiada, e assim por diante... Para Ruth, isso significa que os monstros precisam ser conhecidos por todos e que isso é bom, pois representa a idéia de autoconhecimento. No entanto, não deixa de ser uma idéia assustadora. Por outro lado, o filme castiga a protagonista por não ser uma boa mãe e a jornada do filme está ensinando a ela a ser uma mãe tradicional, e a deixar de ser uma mulher obcecada por sua carreira. A cena em que encontra o cadáver da menina no poço – sendo o poço como representação do inconsciente mais profundo – e o abraça maternalmente seria a representação de seu reencontro com seu papel tradicional de mãe. Falamos também como boa parte dos recursos para amedrontar nesse filme estão baseados na idéia do “familiar não familiar”, no inquietante: um telefone que toca, uma televisão acesa, objetos completamente cotidianos que ganham monstruosidade. Dessa maneira, somos remetidos a nossa infância, quando acreditávamos que os objetos inanimados podiam tomar vida. E um bom filme de terror deve fazer isso, fazer acreditar que somos desprotegidos como crianças, nem que seja por alguns instantes.

O último filme, outra obra-prima, foi uma escolha bem atípica já que não tem sangue, nem mortes, nem espíritos. “Safe”, 1995, de Todd Haines, com Julianne Moore como protagonista. Ruth definiu o filme como “terror de zumbis”. É, definitivamente, o filme que mais me amedrontou e segue me amedrontando. Faz 2 dias que vimos, e sigo pensando nele, até sonho com ele. Um filme em que o grande monstro são as idéias, com capacidade altíssima de contaminação. Julianne Moore vive uma dona de casa riquíssima que tem rinite alérgica e nenhum prazer sexual e que, ao longo do filme, vai se tornando paranóica e consumidora de auto-ajuda e alérgica a qualquer produto químico. Todd Haines definiu o filme como heterofóbico, onde a protagonista vai criando uma repúdia por sua vida de mulher heterosexual e vai negando cada traço de sua heterossexualidade conforme o filme avança. São tantas camadas nesse filme, que é melhor nem começar a falar. É indispensável vê-lo. Uma metáfora sobre o século XX, a auto-ajuda, a AIDS (embora nunca trate do HIV diretamente), o vazio. IMPRESSIONANTE.

Bom, para terminar, devo dizer que adotei um cachorro. A escola tem uns 6 cachorros, cada um adotado por um aluno. Essa semana, apareceu mais um. Sarnento, mas lindo. Levei-o ao veterinário com a ajuda de Flop (professora argentina de produção do segundo ano, amante dos animais, produziu, entre outros, “Nove Rainhas”), onde foi curado. Banhei-o e cortei seus pêlos. Já está totalmente integrado a matilha. Se chama Alfombra Persa (tapete persa) e tem um quê de old english sheep dog.

eu, alfombra persa e flop

Por Gustavo Vinagre às 09h29

24/11/2009

Curso de produção, programas de índio, Jim Jarmush, Soderbergh

A semana foi longa. Começamos o taller de produção, que terá mais uma semana, com o produtor argentino Ignacio Rey. As aulas consistiram em detalhar as funções dos diferentes tipos de produtore e especificar todas as funções de cada área dentro de um largometragem.  Também aprendemos as diferentes maneiras de ler um roteiro, e todos as possíveis decupagens que se podem fazer. Fora isso, nos foi entregue um roteiro de um curta metragem, que já foi filmado, chamado “El loro”. Baseado nesse roteiro, nos reunimos em grupos de 7, cada um com uma função específica. Cada grupo fazia uma leitura página à página, e definia uma proposta estética. Depois, decupávamos tudo. Depois, fazemos um picthing de nossa idéia. Na sexta-feira, fomos a San Antonio de Los Baños, cidade à 15 minutos da escola, para buscar locações e permissos para a filmagem. Agora, no fim de semana, temos que montar um plano de rodagem e uma decupagem de arte para entregar na segunda-feira.E nessa segunda semana vamos continuar fazendo toda a produção hipotética desse curta que não será filmado.

A Terça-feira foi um dia desgraçado. Estava aqui o diretor e roteirista espanhol Garci, que inclusive ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro pela peli “Volver a empezar”. Fui convidado pela chefe da cátedra de roteiro para ver uma projeção de um filme seu na Fundação del cine, onde supostamente também haveria um coquetel. Desavisado, fui. Chegando lá, só haviam 4 estudantes da escola. A diretora nos apresentou a Garci e a um outro famoso crítico espanhol. E nada, ficamos esperando quase uma hora lá até que começasse o filme. Do nada, chegou uma manada de estudantes de seus 16 anos uniformizados como militares e compreendemos a demora. Eram estudantes do Ministério do Interior, obviamente chamados de última hora para encher a enorme sala de projeção da Fundação del Cine. Assim, enganam o espanhol sobre o fato de que se filme não atraiu ninguém, e ainda confirmam o mito de que Cuba é um país de cultos. Para piorar, mal apagaram as luzes, a diretora da escola e a chefe da cátedra de roteiro simplesmente se levantaram e se foram, sem nem dizer tchau a nós 4. Para piorar, Garci se sentou ao nosso lado. Era uma peli dos 80, chamada “El Crack”, um cine noir de muito mal gosto. Saí com 20 minutos de filme (que durava 2 horas e 10). Era insuportável. Nem liguei para o espanhol, que me parece um tosco de direita extrema – os espanhóis me explicaram: “se há um filme de Almodóvar e esse filme não concorre  ao Oscar é por que os filmes desse Garci sempre lhe roubam o lugar” . Bom, tive que esperar 2 horas, já morrendo de fome (a final, já tinha saído da escola havia 4 horas), para participar do tal coquetel – nós 4 roteiristas da escola, um bando de crianças militares (coitadas) e um punhado de espanhóis. Me senti pateticamente usado pela escola, que nos  convidou para um programão de índio (sabendo o programão de índio que seria) e, pior, nos abandonou lá como representantes.

Na quinta-feira, eu e outros 3 roteristtas fomos convidados a recepcionar os atores chilenos daquela peça que já havia mencionado antes, “Neva”. Como éramos dos poucos que haviam visto a peça, nos pareceu ótimo recepcioná-los. Almoçamos com eles, mostramos a escola, e depois fomos ver a palestra que deram para o talleristas de Direção de Atores.  Aí, fomos convidados por eles para assistir outra peça do grupo, que passaria no mesmo dia, chamada “Deciembre”. Ficamos super animados, e fomos. No entanto, quando chegamos à Havana, a peça já havia começado à 1 hora. Nos enganamos com o horário. Ou seja, outro programão de índio. Me prometi que não sairei mais da escola até que comece o Festival de Havana.

Na sexta, tivemos a projeção especial de “Limits of Control” (2009, Japão, EUA, Espanha), o novo filme de Jim Jarmush, com Tilda Swinton (que está hipnotizante), Gael García Bernal, Bill Murray, entre outros. Um homem negro faz uma viagem pela Espanha, para executar uma missão desconhecida. A partir daí, vai encontrando mensageiros de diversas nacionalidades que fazem, cada um, uma reflexão sobre a música, o cinema, as drogas, a pintura, etc. Uma jornada do heróis bem episódica, a la Antonioni. Um filme com uma linda fotografia, solar. E acima de tudo, um grande tratado antiamericano e antihollywoodiano, uma peli quase pró-terrorismo: me encanta.

Sábado continuamos nosso próprio círculo Fassbinder, e vimos sua segunda peli, cujo nome não me lembro, por que não havia tradução do título no DVD. “O amor é mais frio do que a morte” me pareceu mais bem acabada. E tivemos mais duas projeções especiais. A primeira foi “district 9” (EUA, Suecia, 2009), uma ótima ciência ficção produzida por Peter Jackson. Me surpreendi: é um filme sobre alienígenas filmado de maneira documental, é comédia de humor negro, é favela movie, é filme político. E ser tudo isso, e conseguir manejar tudo isso, não é pouca coisa não. Uma nave alienígena quebra, por acaso, em cima da África do Sul. A nave não pode mais voar, e os alienígenas são incorporados ao dia-a-dia humano, sendo marginalizados em bairros afastados. Premissa incrível, não é mesmo? (Obs: antes do filme, vimos o trailer do novo do Peter Jackson – que me parece um dramalhão espírita – e do tal  “Avatar” do James Cameron – estética de muito mau gosto que povoará a mente de nerds pelos próximos 30 anos, mas uma porcaria bem grande, a la Star Wars.) Depois, assistimos a “The Gierlfrinde experience” (USA, 2009), de Steven Soderbergh. Ótimo filme, um tratado sobre a atual crise americana e  a reificação do ser humano. Fãs de Sasha Grey (que faz o papel de uma prostituta de luxo), se esperam ver a filósofa e estrela do porno desnuda, já podem perder as esperanças: a câmera quase foge de Grey e dos outros atores, que se tornam apenas sombras à distância, durante a maior parte do filme .

Fofoca: está na escola Charles McDougall para dar um curso para o segundo ano, diretor e produtor de séries como Desperate Housewives (com a qual ganhou o Emmy de melhor direção de comédia em 2005) , The Tudors, Sex and The City, The Office, Queer as Folk, etc...


Atores chilenos

Dani

Eles naum foram a barbearia

Barbearia

Atrizes

Javier

hhuahahuahu tava fechado

Lindas atrizes

Locacao

Pedazos

Mais de Petra

saca una foto senor

locacoes e san antonio

Vestuario

Um passaro, um aviao

Por Gustavo Vinagre às 20h48

19/11/2009

Atropelado. Assim me pareceu o curso de cine Iberoamericano. Vimos basicamente as pelis mais importantes de Brasil, Argentina, México, Cuba e Espanha até os anos 60. Assistimos uma comédia mexicana com Cantinflas (o Grande Otelo deles), um melodrama também mexicano chamado “Maria Candelária”, “Lucia” - um ótimo épico cubano em 3 episódios, e “Macunaíma”. O resto foram apenas trechos durante as aulas, referências de filmes, um pouco da história do cinema novo, etc.  Embora o curso tenha seu enfoque maior nos brasileiros, o mais interessantes me pareceram os cubanos, com filmes como “A Morte de um Burócrata” de Humberto Solas, e de outros tantos do gênio Tomas Gutierrez Alea.
Tivemos uma projeção especial do filme uruguaio “Hiroshima” (2009), dirigido por Pablo Stoll – o mesmo de “25 Watts” e “Whiskey”. A projeção aconteceu por que o produtor e editor da peli, Fernando Epstein, está dando um curso na escola. O filme é do caray e foi gravado em apenas 2 semanas. Mostra um dia na vida de um jovem que canta em uma banda de rock – interpretado pelo irmão de Stoll – o vazio do seu cotidiano, e o marasmo que precisa enfrentar para finalmente lograr se comunicar através da música. Os poucos diálogos do filme nos são apresentados em carteles como de cinema mudo – recurso que gerou controvérsias entre os espectadores, mas que me pareceu bem apropriado.  O mais interessante do filme, que trabalha muito bem alargamentos temporais, é que somos apresentados ao cotidiano vazio desse jovem de uma maneira realista, que, aos poucos, vai transitando de uma maneira sutil e natural para o absurdo e o fantástico sem que o espectador se dê conta. Elementos delirantes como uma partida de futebol que nunca acaba e frangos assados que nunca ficam prontos dão esse toque especial. Além disso, um grande filme de sonido.
Nessa onda minimalista, vi por conta própria o mexicano “Lake Tahoe”, um conto sobre a superação da morte. Outro grande filme que trabalha muito bem alargamentos temporais, também recente, que há que ver. Sinto falta de coisas minimais assim no cine brasileiro, que vem me parecendo cada vez mais histérico e histriônico – com ótimas exceções, claro. Vi também a primeira peli de Fassbinder, “O amor é mais frio do que a morte”, que me pareceu boníssima para uma ópera prima.
Domingo fui à Havana assistir a peça “A Visita da Velha Dama”, do grupo BuenDía. Bela montagem, mais uma crítica apropriada à revolução.
Segunda começaremos um curso intenso de produção. Dizem que bastante intenso: do tipo manhã, tarde, noite, madrugada e fins de semana. Não vejo a hora de que chegue dia 3 de dezembro para o Festival de Havana. Sei que 3 brasileiros estão competindo. “À Deriva”, de Heitor Dhalia, filme que vi poucos antes de sair do Brasil e de que gostei muito. “Viajo por que preciso, volto por que te amo”, de Karin Ainouz e M.Gomez e “Hotel Atlântico”, de Suzana Amaral, que já foi uma querida professora. Em breve, coloco a programação completa por aqui. 

Por Gustavo Vinagre às 20h09

Em seco - 11/11/2009

disse meu amigo:

esse meu país não tem quem o conserte

eu quis dizer: o meu também não

mas não disse

ninguém quer que compitam com suas amarguras

nunca relativizar insatisfações: é falta de decoro

melhor assim:

cada um com seu desconserto, cada pátria com seu descontente

Por Gustavo Vinagre às 20h07

Teatro em Havana - 10/11/2009

Eu amo o teatro. Nunca havia dito isso antes. Sempre respeitei, mas sempre me parecia algo demasiado místico de uma maneira um pouco imutável, algo que já tinha passado. Agora, depois que o Festival Internacional de Teatro de Havana se acabou, posso dizer que eu amo completamente o teatro. Aqui, sinto o teatro vivo. Todas as peças disputadíssimas por jovens que entendem de teatro, estudam teatro, consomem teatro. Não sei, senti o teatro rico como nunca, contemporâneo no melhor sentido da palavra.

Assisti a “Nacidos com Ira”, obra alemã da jovem e simpática Darja Stocker, de apenas 27 anos, do famoso teatro Máximo Gorki. Uma obra que fala da do fracasso das utopias (tão apropriado para o contexto cubano) através do personagem de uma jovem que faz trabalho comunitário na África, seu pai, um fracassado ativista do movimento juvenil, e sua avó, uma antiga lutadora da resitência francesa contra a ocupação alemã. Some à isso uma prostituta que quer morrer e um parelalo com a história de Olympe Gouges, ativista da revolução francesa, que negou a declaração dos Direitos Humanos e redatou a sua própria Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, e que acabou morta na guilhotina. Soluções de cenários ultra modernas, uso bem apropriado de vídeo arte e documental, e tinta sendo cuspida para todos os lados fazem dessa montagem uma coisa linda de se ver. Sem falar dos atores. Outro dia fui ver uma palestra com a autora, e três das atrizes no Instituro Ludwig. Foi um dia lindo, numa cobertura em Havana com uma vista privilegiada (pena que acabou a bateria da minha câmera), e um debate muito rico entre os alemães e os cubanos interessados em teatro. Depois, tivemos um almoço oferecido por eles. Bati papo com a atriz Anja Schneider e fiquei feliz da vida. Além disso, pude ver pessoalmente Dea Loher,uma das maiores dramaturgas da atualidade,  que escreveu, entre outras, “A Vida na Praça Roosevelt”.

Vi também a brasileira “Orestea, el canto de chivo”, uma montagem exageradamente brechtiniana de três peças de Ésquilo. Não sabia que duraria 3 horas e meia, e fui embora depois de 2 horas, por que já tinha comprado ingresso para “Neva”, uma peça chilena que todos diziam que não podia perder. Os brasileiros me pareceram interessantes – todavia histéricos – e nada muito além disso. Corri a ver “Neva”, do Teatro en Blaco, um espetáculo minimalista que continha as melhores atuações que já vi ao vivo em minha vida. No palco, uma cadeira, uma lâmpada e três atores estupendos e generosos. A viúva de Tchekov ensaia o monólogo de uma peça, sem sucesso, enquanto fora, ocorre o Domingo Sangrento. Ela, na companhia de uma outra atriz – que questiona constantemente a função do ator em tempos de guerra  e pobreza– e de outro ator, reecriarão a cena da morte de Tchekov repetidas vezes e de distintas maneiras, por puro prazer da viúva, enquanto discutem sem parar os limites da ficção e do que há de realidade na atuação. Profundo até o talo. Como disse uma das atrizes que vi na palestra sobre a obra no dia seguinte: “a arte tem que jogar luz onde dói mais”, e eles com certeza lograram fazer isso. O  texto do autor, não me acordo seu nome, não deixa nada a desejar ao próprio Tchekov.

No domingo, quando encerrou o Festival, vi novamente “As Amargas Lágrimas de Petra von Kant”, e a montagem me pareceu ainda melhor. Não posso compreender como atores do nível desses cubanos, e com uma montagem boa como essa, não possam sair apresentado-a mundo afora. Por fim, vi  outra cubana “Visiones de la Cubanosofía”, do grupo “El Ciervo Encantado”. Simplesmente monstruosamente diferente de tudo o que eu já vi na mina vida. Um teatro simbólico, plástico e com atuações bizarras no bom sentido. A atriz principal, que fazia quase todos os papéis, conferia a cada um deles uma voz impressionante e alienígena, e todas diferentes entre si. A peça conta, de maneira completamente simbólica e experimental, em apenas uma hora, a história de Cuba até a contemporaneidade. Uma hora inundada de significado, de uma precisão e concisão absurdas.  A primeira cena já dá um pouco do tom da peça: As cortinas de abrem e vemos a Virgem da Caridade de Cobre, padroeira dos cubanos, com um manto azul suntuoso, e uma longa barba negra (que não consta da figura original). De repente, a imagem que creíamos ser um boneco, começa  a falar com uma voz monstruosa, medonha, que vou ouvir com certeza em meus pesadelos. O rosto da atriz está coberto de uma maneira que parece ter uma cabeça minúscula, suas expressões nos fazem crer que estamos diante do diabo, e não da Virgem. Em um extenso monólogo de imagens alucinantes fala do nascimento de Cuba. Absurdo como o próprio país.

Bom, lamento dizer, mas o Festival me impediu de atender ao taller de Godard de Phillipe Dubois. Mas, uns poucos que se aventuraram a ir me disseram que não valeu à pena.

Minha fotonovela ficou melhor do que eu pensava, foi divertido a aprender a usar (relativamente bem) a câmera analógica e o laboratório. Quem sabe a publico aqui mais para a frente. Agora, começamos o curso de História do Cinema Latinoamericano, dado por Joel del Rio, um cubano bem engraçado. O primeiro filme que vimos foi “Limite”, de Mario Peixoto. Já o tinha visto no curso do Calil na USP, quando eu tinha 18 anos. Agora, sua experimentação me pareceu muito mais interessante e palatável.

Por Gustavo Vinagre às 20h06

06/11/2009

O taller de Phillipe Dubois prosseguiu sem muito entusiasmo da parte dos alunos. Apesar de vermos ótimos diretores, Dubois é mais um biografista do que qualquer outra coisa. Espero que seu outro taller, que começa hoje, sobre Godard, seja melhor. As aulas de fotonovela também vão mal. O professor é meio sonso e desinteressado, mas estamos aprendendo bastante de revelação com Ovídio – um professor cubano – nas aulas no laboratório. Quarta-feira fotografo a minha, e ainda nem tenho idéia da história.

Sexta-feira começou o Festival Internacional de Teatro de Havana. Eu, Carlos, Raul, Jorge, Rodrigo, Fidel e Valéria decidimos ir. Coisa que não é muito comum, sair durante a semana. Mas estávamos esgotados e sufocados na escola, então fomos depois das aulas da tarde. Comemos em um pizzaria estupenda (comida com sabor é bom para variar, né?), depois encontramos um show que estava na penúltima música,  e então fomos a um dos teatros ver uma montagem cubana de “As Amargas Lágrimas de Petra von Kant”, baseada na obra de Fassbinder. O lugar estava mega lotado e tivemos que sentar no chão, mas foi maravilhoso. Ótimos atores. Depois, passeamos um pouco, vimos as praças repletas de emos (aliás, penso seriamente em fazer um documentário sobre emos em Havana), e voltamos à escola de táxi. No sábado, fomos mais uma vez ao Festival. Vimos uma peça argentina chamada “Buscado”. Ruim. Só durou uma hora, menos mal. Novamente, comemos em uma outra ótima pizzaria chamada Fabio. Fabio era um jovem turista italiano que morreu em um atentado encomendado pela CIA ao hotel Copacabana em 1992. Depois de sua morte, o pai se tornou amigo da revolução e abriu uma pizzaria aqui. Agora me diz, seu filho morre e você decide abrir uma pizzaria em Cuba com o nome dele? Que coisa pra lá de mórbida. Para piorar, fiquei sabendo que há um filme italiano sobre ele, e também um ballet inspirado em sua história!!! Vamos combinar que é uma história um tanto banal para ser filme e ballet. Pizzaria até vai... huauhauhahu

Domingo não conseguimos ver peça alguma, estava tudo lotado. Então fomos tomar daiquiris no Fresas y Chocolate, que é um bar cheio de referências ao filme “Morangos e Chocolate” . Tentamos ver “Arrastame ao inferno”, mas a sessão já havia começado. Decidimos parar em outro bar para uns mojitos, depois comemos mais pizza (dessa vez uma chinfrinziha de rua, mas que também estava uma delícia) pegamos a guagua e voltamos a escola. Foi um fim de semana exaustivo, mas encantador - um fim de semana pizzoso. Aqui, continua bem abafado. Dizem que nessa época do ano a atmosfera do país fica coberta por uma nuvem de areia vinda do Saara, e por isso fica assim, insuportável, com o ar pesado.


 

Dia dos Mortos Mexicanos


Peluqueria


 Petra

Pizzaria

Praticamente escorre sangue do banco de sangue

Prédio soviético, Havana passa

Teatro Trianon

Tentativa Frustrada

Torcido

Trapos

Trupe

Uma dessas estatuas

Valeria

Velha companheira de pizza

Von Kant

Wong Kar bus

02

A lua Hotel Habana Libre

As coisas precisam ser concertadas

Carneiro e Barreras

Coluna

Farmacia

Fotico



Hotel

Lua e Malecon

Me encanta a luz da hora magica

Nessa esquina, Fidel assumiu o caráter socialista da revolução

 No mundo capitalista isso seria retro

O bar Morangos e Chocolate fora de foco

Onibus Wong Kar-Wai

Onibus Wong Kar-Wai

Onibus Wong Kar-Wai

15 - Onibus Wong Kar-Wai

Palmeira

 

 

Por Gustavo Vinagre às 20h02

29/10/2009

Segunda-feira tivemos um dia inteiro de Análise da Imagem , já que o taller de Jornada do Herói acabou na sexta. Vimos a relação entre alta e baixa cultura, falamos do kitsch, do camp, da arte naif, etc. Assistimos um curta de 1985, de Godard, onde halterofilistas são desejados pela imagem de duas mulheres nuas – é de uma coletânea de curtas, onde cada curta é baseado em  uma ária. Depois assistimos a um curta documental feito na escola há uns 20 anos, muito bom, sobre um pianista/halterofilista cubano, onde os conflitos e harmonias entre alta e baixa cultura se mostravam no próprio personagem. Depois vimos trabalhos onde o kistch se manifesta de maneira legitimada como em LaChapelle, Oldenburg, e também através do pornográfico como em Jeff Koons, Richard Kern e Tom of Finland.  

À noite, começamos o taller aberto do francês Philippe Dubois. Seu taller consiste em investigar a relação fotografia fixa/cinema. Para ele, há muito movimento na fotografia e muita imobilidade no cinema. Para isso, está nos apresentando 4 cineastas que são ao mesmo tempo cineastas e fotógrafos, cuja filmografia flerta ou está totalmente baseada no trabalho fotográfico. São eles: Agnes Varda, Raymond Depardon, Chris Marker e Robert Frank. Começamos por Varda. Assistimos um filme de 30 minutos de 1963 chamado “Salut les Cubains”, feito apenas com fotos, mostrando uma visão bem ingênua e divertida da revolução. Depois vimos “Ulisses” (de 22 minutos), de 1982, onde Varda investiga o significado de uma foto tirada por ela 20 anos antes. Um ótimo filme sobre a memória e a construção artística, me lembrou muito “Santiago”.  Ontem, quarta-feira, vimos Chris Marker, e sua extensa e variada filmografia. Semana que vem, Philippe Dubois dará outro taller aberto, dessa vez, apenas sobre Godard, em que é especialista. 

Na terça, começamos um novo taller (substituindo Análise da Imagem e Jornada do Herói), que vai de manhã  à tarde, chamado Fotonovela e dado pelo uruguaio Pablo Porciuncula.  Estamos aprendendo sobre foto fija, tendo alguns exercícios de foto, e tratando de entender um pouco da linguagem de fotonovela, por que, semana que vem, cada um dirigirá e fotografará sua própria fotonovela em 12 fotos (embora o trabalho seja em grupos de 10, cada um dirige o seu, ajudado pelos outros do grupo), que depois serão reveladas e impressas por nosotros mesmos.

O calor voltou a assolar a ilha. Saímos do horário de verão, e agora temos uma diferença de 3 horas com o Brasil. 

Utopia não caminha, pára

Utopia é ostracismo

Utopia entope 

Prefiro uma pia à utopia


Querida Ruth

Nas fotos abaixo a querida Ruth, com Andres sentado. Na outra foto ela com o tradutor.

 

Na escola

Rodrigo

Leminski na parede da escola

Macarronada brasileira

Macarronada no ap do Dudu

Casa dos professores

Eu e Marinete na aula final da Ruth

Frio em Cuba

Por Gustavo Vinagre às 19h44

27/10/2009

A quarta aula de Jornada do Herói foi  sobre cine experimental, e foi ótima para percebemos que a estrutura dos mitos – embora eu não creia que
em 100% das vezes possa ser vista tal e qual – pode ser vista também em um um cinema não aristotélico. Foi uma ótima oportunidade para falarmos melhor de Jung e Freud e do mundo simbólico dos sonhos, uma vez que muito do cine experimental lida com o onírico e, afinal, “o mito é o sonho público, e o sonho é o mito privado”. Começamos assistindo um curta de Maya Daren, “Meshes of the Afternoon” (algo como Cacos da Tarde), de 1943. Daren é uma russo-americana que teve enorme influencia sobre a vanguarda americana da época. Para ela, o realizador é sempre protagonista – ela mesma atua em seus filmes – o que converte a experiencia cinematográfico em uma jornada de auto-descobrimento. Eu fiquei de queixo caído com o filme e de como tem anto, mas tanto que ver com o meu primeiro curta “Pérolas”. A professora Ruth, que já tinha visto o meu curta, ficou impressionada com o fato de que eu não conhecesse o trabalho de Daren.

Depois, vimos um curta do famoso Keneth Anger, que trabalha o cinema como forma de evocar forças primitivas, uma espécie de ritual, e também está em constante diálogo de amor e ódio com Hollywood. O curta era “Fireworks”, de 1947,  que realizou quando apenas tinha 17 anos. Aqui, o diretor também é protagonista do filme, o que nos levou a discutir as dimensões ainda mais amplas de interpretações quando o realizador se coloca como seu próprio herói (a vida pessoal do realizador ganha peso interpretativo – Daren, por exemplo, está fazendo uma reflexão sobre seu próprio casamento em “Meshes...”, filme em que seu próprio marido é o fotógrafo).  Já tinha assistido “Fireworks” antes. Prefiro Daren. Não sei, é preciso ver Anger com distanciamento temporal, por que, para mim, seus símbolos, já foram tão reelaborados depois dele, que estão esgastados. O mesmo acontece com o outro curta de Anger que assistimos na aula à noite, “Scorpio Rising”, que, na minha maneira de ver em 2009, faz uso de códigos religiosos e de Hollywood de maneira infantil e um tanto redundante.  Depois, assistimos dois curtas de Stan Brakhage, outro americano. O primeiro se chamava “Window Water Baby Crying” e consistia na gravação da preparação de sua mulher para o parto e o parto em si de seu primeiro filho – claro, do ponto de vista de um vídeo-artista. Aí, a Jornada do Herói pode ser interpretada de múltiplas maneiras, desde uma visão de um casal se tornando pais, ou desse próprio bebê que está saindo do seu mundo de segurança, o ventre materno, em busca de algo. Depois vimos outro de Brakhage “A arte de ver com seus próprios olhos”, que é exatamente o que significa a palavra autópsia. Nesse filme, somos apresentados a várias autópsias durante meia hora – lógico, mais uma vez reforço, do ponto de vista de um vídeo-artista. O filme é inquietante e, como em “Window Water...” a falta de qualquer som só intensifica a força das imagens. As interpretações sobre quem era o herói do filme foram as mais variedas: desde a raça humana em sua efemeridade, até a que me parece mais interessante, a de que o herói desse filme é o próprio espectador, que tem que aceitar ou não se deparar com o incomôdo da morte através dessas imagens altamente estetizadas de corpos abertos. É um filme que, de fato, faz o espectador passar por diversos estágios da Jornada: negar a sua missão no mundo da aventura (fechar os olhos, por exemplo), encontrar maneiras de superar sua jornada (em dado momento do filme, o espectador necessita se distanciar da imagem, tentando apenas vê-la como objeto estético e não como corpos mortos para suportar continuar),  e enfim, o espectador – como o herói - passa por uma mudança tão profunda, e já não pode encarar a morte da mesma maneira (o herói sempre é modificado, aprende algo). A partir daí aprofundamos o conceito de catarse. Na última aula, na sexta feira, analisamos uma comédia tão profunda e tão poliinterpretativa que não quero nem começar a discussão: “Sullivan´s Travel” de Preston Sturges. Um filme sobre um diretor de comédias que quer fazer um filme político sobre a pobreza. Para isso, ele tenta se infiltrar no mundo dos pobres, sem sucesso. Por fim, por acaso, cai na pobreza sem querer, e vivenciando a pobreza, decide não fazer seu almejado filme político mas sim, mais uma vez, uma comédia. Como não quero entrar muito no assunto, somente digo isso: é um filme muito bom. Quase toda a sala o encarou como uma apologia da alienação através da comédia. Eu, e outros poucos, encarou-o como um filme terno e sincero, que critica a burguesia que se crê educadora. À noite, falamos mais de Freud e Jung, ao analisar o filme “A escada de Jacob”, um terror psicológico de guerra, que tem lá alguma coisa, mas que não é lá grande coisa. Vale mais pelo Tim Robbins descamisado e pelo McCaulay Culkin antes mesmo de “Esqueceram de Mim”.

As aulas de História da Arte mudaram de nome graças a minha adorável sugestão. Agora são assumidamente Análise da Imagem. Interessantes e ya. Sábado fomos eu e dois amigos a um povoadinho que fica a 20 minutos a pé da escola. Chama-se San Tranquilino. 200 habitantes que, me pareceram, acima de tudo, carentes de contato humano e cultural, sem falar da escassez de alimentos e por aí vai. A bateria da câmera acabou, mas quando voltar lá saco algumas fotos.  Assisti “Vergonha” de Bergman, e domingo houve projeção de “Bad Guy”, que tem lá seus momentos, embora seus últimos 20 minutos me pareçam os piores já feitos pelo coreano Kim Ki Duk – sem falar do quanto a peli é machista.

Por Gustavo Vinagre às 19h37

22/10/2009

As aulas de História da Arte geraram controvérsias na segunda aula. Muitos alunos insatisfeitos com o conteúdo. Eu estou gostando. Bom, o problema é que realmente não temos História da Arte, mas sim algo muito similar ao que seria Análise da Imagem, que, para mim, é muito mais interessante. Houve discussão na classe, a professora tentou explicar a falta de tempo dentro do curso, eu dei minha opinião sobre o problema de nomenclatura, enfim, estão todos mais satisfeitos desde a terceira aula onde começamos aaprender sobre “ O malestar da cultura” de Freud. Além disso, estamos analisando algumas obras em aula, tratando de entender como uma mesma obra pode ter significados diversos dependendo do contexto em que é recebida. Para isso, a professora nos mostrou um clipe cubano, do grupo Sur Caribe, chamado “La pelota de la suerte” (deve estar no Youtube, imagino), demonstrando que, o que aparentemente poderia ser desfrutado apenas como um vídeo clipe, no contexto cubano se tornava uma ferramenta política que ia além da obra de arte. O clipe, que mostra pessoas nas ruas segurando e brincando com uma bola azul cheia de estrelas enquanto um menino a persegue por Havana, está censurado em Cuba desde 2007, por que as autoridades enxergam a bola azul estrelada como uma metáfora para a bandeira dos EUA e, por fim, do capitalismo. A música jamais foi proibida, e teve bastante êxito nas rádios, porém, sua letra aparentemente inocente, ganha ares de subversão quando ligadas a essa imagem. Bom, analismos mais uma série de clipes tentando distinguir o que cada um possue de contextual – desde outros clipes de bandas cubanas até Massive Attack.

As  aulas de Jornada do Herói estão cada vez melhores (embora sejam super cansativas, por que estamos assistindo um longa toda as artes, discutindo sobre ele, e outro longa todas as noites e discutindo sobre ele até meia noite), e eu, cada vez mais encantado por Ruth. Estamos aprendendo sobre arquétipos, a importância dos mitos para a psicanálise, a importância de um indivíduo em ter claro e decidido para si que mito ele quer viver na sua vida e como tudo isso se dá imageticamente nos filmes. Segunda à noite iniciamos as aulas lendo a história do Minotauro. Depois assistimos o primeiro episódio da série policial americana The Wire, onde deveríamos ver alguns pontos em comum com a história do Minotauro.

Na aula seguinte, à tarde, assistimos a um ótimo filme cubano “Guantanamera”, o último filme de Tomás Gutierrez Alea. Um filme super
atípico: uma comédia romântica política sobre a morte. Sim, o filme é tudo isso, é comédia é romântica é política e seu tema central é a morte. Bom, antes do filme, lemos um relato de cubano-americano sobre sua busca de uma identidade cubana. A idéia era constratar a visão de um estrangeiro com a visão de cubano. Além disso, Ruth discutiu como uma mesma série de mitos e arquétipos ancentrais e universais podem também construir uma visão de um país específico e ajudar a refletir sobre esse país. À noite, o tema era a mitologia da imigração e mais uma vez vimos um filme sobre Cuba, um francês chamado “Os Balseros”. O filme acompanha alguns personagens a partir da grande crise cubana de 1994, quando a miséria era bem intensa por aqui, que começam a construir suas balsas para irem a Miami. O documentário acompanha esses personagens por 5 anos, e como suas vidas prosseguiram nos EUA. Discutimos sobre questões como: se em um documental é realmente possível aplicar e ver as etapas da Jornada do Herói, se cada personagem era um herói específico ou se todos representavam o mesmo, discutimos o quanto os personagens eram heróis trágicos ou não, etc. Na terceira aula, à tarde, vimos o filme alemão “Anjo Azul”. Já tinha visto, mas dessa vez pude notar o quanto é rico imageticamente e repleto de metáforas do começo ao fim. Conversamos sobre mitos do casamento, apuramos os conceito de tragédia, entre outras cositas mais. À noite, assistimos a “A vida dos Outros”, que também já havia visto, mas que, agora, me pareceu bem Hollywood alemã, no mal sentido da palavra Hollywood. No entanto, como sempre, a discussão foi rica. Hoje, teremos o dia inteiro de Jornada do Herói apenas com filmes experimentais.

Por Gustavo Vinagre às 19h35

Mais uma semana - 21/10/2009

Bom, terminaram os cursos de Guión e de História del Cine, embora ainda tenhamos prova de História del Cine no sábado. Agora, só semestre que vem voltaremos a ter outro taller de guión, e em breve, História del cine latinoamericano.
Semana passada, vimos ótimas películas para História del Cine. Na quinta, assistimos a “Las Margaritas”, (Tchecoslováquia, 1966), de Vera Chytilová. O filme, que faz parte da nouvelle vague tcheca, conta a história de duas jovens, que começam o filme tomando sol de biquíni, e partem da premissa “se o mundo está corrompido, também estamos”. A partir daí, nos é contada a saga dessas pestinhas fazendo maldades por onde passam. O filme é um espetáculo visual, e me parece uma fonte inesgotável de referências para direção de arte. A película rompe com a linearidade narrativa e aplica uma técnica de colagem, tanto visual como sonora. Um filme crítico da sociedade contemporânea e contestador do mundo dominado pelo masculino.  Em seguida, no mesmo dia, assistimos “El Color de la Grana”, ou, em português, “A Cor da Romã” (URSS, 1968, de Sergei Paradjanov). Já o havia visto, mas o revi com mucho gusto. Uma das pelis mais experimentais e poéticas já feitas, inspirada na biografia do poeta armenio Sayat Nova. Uma belezura só.
Na sexta-feira, assistimos a “O Espelho”, de Tarkovski, que é belíssimo. Posso estar sempre parecendo deslumbrado, mas não. Simplesmente estou sempre dando a sorte de ver obras-primas. “O Espelho” é a obra que eu gostaria de fazer sobre a minha infância, não exatamente como está feita, mas com o mesmo grau de reflexão e profundidade. O filme tem tantas camadas, e imagens tão belas, que é possível desfrutá-las de infinitas maneiras. Inclusive, me parece imposssível que Lynch não seja um amante de Tarkovski. A cena em que a avó desaparece como em um passe de mágica, e o neto mira a mancha do calor de sua caneca que vai sumindo aos poucos da mesa, me parece necessariamente ser mãe de uma cena de “Mulholland Drive”, em que a personagem de Naomi Watts busca por sua companheira, que desapareceu dentro de uma caixinha azul.
Vi, extracurricularmente, “O Eclipse”, de Antonioni. “A Noite” me pareceu melhor, mas não melhor que “Blow Up”, que vi sábado. “Blow Up” é, para mim, uma grande ode da verdade que se pode adquirir através da arte, por mais não-figurativa que seja.  É a saga de um fotógrafo de moda (portanto alguém que crê na figuratividade) que se vê diante de um assassinato real cuja única prova é uma foto abstrata e, a partir daí, muda sua visão de mundo. Roteiro redondo: personagens e situações perfeitamente colados para se contar a premissa que se deseja contar.
Vi também “Gummo”, um recente filme americano de Harmony Corine, que mistura ficção com documentário para fazer um retrato bizarro e visualmente estupendo de uma pequena cidade norte-americana.  Eita semana boa para filmes. Por fim, ontem, domingo, assistimos ao vencedor do grande prêmio da seção Una Cierta Mirada, do festival de Cannes. Chama-se “Colmillo”, que, em português, quer dizer dente canino. É um filme gregro, deste ano, dirigido por Yorgos Lanthimos. É de um frescor absurdo. Um ponto de vista cruel sobre como os vínculos familiares fomentam a dependência e como a educação se baseia em mentiras e idéias equivocadas. Visto em Cuba, o filme me pareceu uma grande metáfora da ditadura. Está boníssimo, se estiver passando em algum festival no Brasil, vejam.  
Semana passada, também tivemos um encontro com cineastas polacos. Veio a Ministra da Cultura; a presidente do Instituto Polaco de Arte; veio Jacek Bromski, diretor e presidente da associação de Cineastas Polacos; Krzysztof Krauze, diretor; Joanna Kos-Krauze, diretora e Andrzej Slodowski, diretor. Falaram de como funciona o cine polaco, disseram alguns número – por exemplo, produzem 150 pelis por ano, têm 40 milhões de euros para produzir esses filmes, etc – e prometeram possíveis parcerias com cine latinoamericano. Por exemplo, disseram que “Happy Together”, de Wong Kar Wai, foi produzido com dinheiro polaco numa coprodução com a Argentina. 
Hoje, começamos História da Arte com uma estupenda professora cubana, Jaqueline. Ainda bem, por que já tive história da arte 2 vezes, e precisava ser um professor incrível para me manter entretido. Fala muito e rápido, é irônica e engraçada. Agora, à tarde, começamos as aulas de Recorrido del Heroe, com Ruth Goldberg, uma professora americana da State University of New York/Empire State College, estudiosa da Jornada do Herói e especialista em cinema de horror e cinema latinoamericano. É uma figura e tanto: aparenta um frieza extremamente elegante, tem apenas uma das mãos e compreende tudo o que falamos em espanhol, embora dê as aulas em inglês, e está sempre chamando a atenção ao tradutor para que diga exatamente o que ela disse. Claro, fiquei encantado por ela, especialmente por saber que, em novembro, ela volta para nos dar um curso apenas de filmes de terror. A aula começou com a definição do que é um mito e a exposição dos 12 passos da Jornada do Herói segundo Joseph Campbell. Depois, vimos uma hora do primeiro “Senhor dos Anéis”. Muitos de nós, alunos, estavamos céticos e cheios de preconceitos com o modelo e com o filme. Uma das críticas ao filme é que dividia bem e mal de uma maneira muito manequeísta. De cara, a professora nos mostrou o contrário, a imensidão de personagens ricos e ambíguos, encantados pelo poder do anel: Gollum, Bilbo, Frodo... Além de nos mostrar esmiuçadamente a jornada do herói na película (o mundo comum, o chamado para a aventura, a recusa ao chamado, o encontro com o mentor, etc...) contou um pouco das suas próprias interpretações do filme. A metáfora da Segunda Guerra Mundial, que sempreu me pareceu óbvia, nos foi apurada. O Condado, a terra verde e encantadora, seria a Inglaterra, a terra de Tolkien (que foi soldado na guerra). Lá, tudo é belo e as pessoas são inocentes e pequenas, como na infância. A simbologia da pequenez dos robbits está diretamente ligada a questão do infantil, da criança, que, a partir da jornada do herói, será obrigada a se confrontar com o crescimento. A Inglaterra  é obrigada a entrar na guerra, no mundo dos adultos. Frodo é obrigado a atender o chamado e a responsabilidade que tem pelo anel, sendo forçado a sair do Condado. Os terríveis monstros feitos a partir das árvores seriam a raça ariana almejada por Hitler. Isso, para pontuar algumas das observações que fez em aula. Depois, nos falou de sua interpretação sexual do filme . Segundo ela, Tolkien manteve relações homosexuais durante a guerra, que seria o lugar perfeito (apenas homens) para que rapazes com tendências pudessem concretizá-las. Para ela, o filme não tem imagens de relações heterosexuais bem sucedidas e a única e verdadeira relação é entre Frodo e Sam. Além disso, diz que o Grande Olho e a aranha gigante (do segundo filme) são, para ela, nítidas metáforas do órgão sexual feminino em sua representação mais assustadora. Para ela, a única imagem de nascimento do filme é a do nascimento dos soldados monstros, que não são paridos, mas sim feitos por 2 homens: Sauron e Saruman, o que, para ela, seria mais uma prova da misoginia do filme. Frodo, como todo herói, jamais pode de fato voltar para casa, por que, por mais que volte, volta mudado e jamais poderá ter a visão de mundo que tinha antes. Por isso, Frodo jamais se casa e segue vivendo sozinho. Bom, falamos de muitas outras coisas, mas não me prolongo mais. Hoje à noite temos projeção dessa matéria, mas Ruth, que é mesmo misteriosa, prefereriu manter em segredo o filme que veremos até a hora da projeção. Bem curioso e excitado com as novas aulas. Para quem quiser saber mais sobre cine de horror e essa visão homossexual de “Senhor dos Anéis”, acesse o site da escuela e busque pela revista Miradas. Lá, encontrará dois ensaios de Ruth: Carreteles de hilo rojo: la pesadilla de la pasión romántica en 3 películas del cine de horror japonés y Lo que pide el Ojo: sexualidad, visión prohibida y encarnación en Lord of the Rings.
Para finalizar, devo dizer que sinto saudades de São Paulo. A escola fica numa área de microclima (aqui faz mais frio do que no resto de Cuba), e o inverno já começa a se fazer presente. Chegou uma frente fria na sexta e ainda não se foi. Fiquei super feliz, um friozinho de usar agasalho, e isso só reforça a minha saudade de casa.

La escuela (meu primeiro poema em español)
La escuela  me mira con ojos fijos
Sus escaleras saben dónde subo
A dónde bajo
Para ella, es imposible que yo esté de espaldas
Sus paredes me cobran salud
El piso me cobra caminar
El techo sabe cuándo divago y lo miro
Los alumnos son de rara amabilidad
Los profesores están siempre disponibles,
Para que nadie justifique su desconocimiento
La piscina de la escuela me abraza
Su agua sabe si nado por ejercicio o por placer
Y su agua sabe, sabe cada gota de mi meada
La escuela mira con ojos fijos, nunca rojos de tanto mirar
Siempre límpidos como el agua de sus llaves, de sus duchas
Como la saliva de los custodios
La comida del comedor de la escuela sabe que la comí,
Todavía está en mi estómago.
La escuela sabe.
La escuela me mira con ojos de supuesto amor.
roteiristas

maria helena

festa guion, falando com o roteirista miguel machalski

festa guion


pedro, porto rico, nicolas, argentina e eu roteiristas

Por Gustavo Vinagre às 19h35

Post da semana - 14/10/2009

Na sexta, foi a festa de iniciação de guión. Ainda não me sentia 100%. Foi divertidinha, nada demais. Com brincadeiras do tipo: uma pessoa dizia uma profissão, um objeto e um adjetivo e os iniciados precisavam fazer um story line em 30 segundos, se não conseguisse, bebia rum.
Sábado assisti “Coração Selvagem”, do David Lynch. Detestei. Não entendo como alguém que faz coisas tão belas pode ter se equivocado tanto nisso aqui, é de um mau gosto assombroso. Vi um filme cubano chamado “Um hombre de êxito”, nenhuma maravilha tampouco.  Reassisti “Mulholand Drive” e “Blue Velvet”.

Essa semana, em historia del cine, começamos a estudar os italianos, os hungaros e os tchecos. Em roteiro, fizemos uma série de coisas. Tivemos
que escrever uma carta na voz do personagem criado na semana passada. Depois, o professor escolheu duplas, e intercambiou as biografias e as
cartas. Então, cada um precisava escrever uma cena com 8 movimentos dramáticos onde os seu personagem e o personagem do seu parceiro fossem obrigados a se conhecer e se confrontar, como numa viagem de ônibus, por exemplo. A minha personagem Jennifer – uma anoréxica que trabalha no bandeijão de uma universidade e faz parte de um programa social de inclusão para que ela própria possa cursar alguma faculdade  - teve que encontrar Simón – um engenheiro elétrico desempregado porto-riquenho.  Na segunda-feira, também para guión, assistimos “Memorias del Subdesarollo”, de 1969, de Tomás Gutierrez Alea. Um filme indispensável para Cuba, e para quem quer entender o sentimento de parte dos cubanos, um filme cheio de energia, que contesta absolutamente tudo o que se passa aqui. Um personagem charmoso que não se sente parte de nada do que representa seu país. Recomendabilíssimo. Me lembrou um pouco “São Paulo Sociedade Anômima” e “Todas as mulheres do mundo”, não sei exatamente em quê. Uma das frases geniais do filme: “Ela muda de humor a cada situação, não consegue relacionar uma coisa a outra.  O subdesenvolvimento faz isso com as pessoas. Por isso, eu não consigo me relacionar com ninguém aqui. A gente aqui não é consistente. Precisa ter alguém para pensar por elas.” O filme jamais foi proibido.

Na terça, em aula, analisamos o “Memorias ...” e “A Noite”, como exemplos não-dramáticos de cinema, ou seja, que não atuam através da lógica
causa/efeito, mas sim através da justaposição.  Aprendemos sobre a narrativa brechtiana, e aplicamos sobre “Memorias...” Amanhã eu e meu
grupo precisaremos apresentar nossa análise de “O Acidente”, baseada no que aprendemos no curso até agora.  Depois de horas e horas de discussão sobre o filme, até que eu passei a gostar dele.

Por Gustavo Vinagre às 19h27

Hoje é dia 9 de outubro - 09/10/1009

Hoje é dia 9 de outubro, sexta-feira. Perdi as duas últimas aulas e projeções de história del cine e de roteiro. Tive febre alta, diarréia. Tomei soro e estou medicado. Parece que foi algo que comi. A última vez que fui a uma projeção foi na quarta-feira. Vimos, para roteiro, “A noite”, de Antonioni. Mais para frente, vamos analisá-lo, como exemplo de narrativa não aristotélica. O filme me pareceu soberbo.Na terça, para história del cine, vimos “Rostros de Niños” (França, 1925, de Jacques Feyder), um melodrama sobre um menino que acaba de perder sua mãe. Linda fotografia, e roteiro redondinho. Depois, assistimos uma comédia americana dos anos 20 super irônica e contestadora para a época, mas, infelizmente, não me acordo o título.

Na última aula de guión (roteiro) que fui, aprendemos sobre construção de cenas. Para isso, analisamos a sequência de abertura do filme cubano “Morangos e Chocolate”  e assistimos “Cães de Aluguel” cena à cena (assistíamos uma cena, páravamos, discutíamos), analisando o encadeamento lógico da história. Tivemos também alguns exercícios de guión. Cada um tinha que escrever uma página de biografia de um personagem inventado por nós. Depois, escrevemos uma carta na voz desse personagem. Agora, teremos que, em duplas, trocar de personagens, e escrever uma cena em que o seu próprio personagem encontre o personagem de seu colega.

Hoje tem show de Manu Chao em Havana, em comemoração de algum aniversário relacionado a Che, não sei bem o quê. Ainda não estou bem para ir. No entanto, hoje é a festa de iniciação da cátedra de guión, e terei que ir, nem que seja um pouco, já que eu sou um dos iniciados.

Gostei de Abrazos Rotos, mas há algo de “ligero” (é como se diz fútil por aqui) sobre o filme. Para mim, os filmes de Álmodovar sempre são algo muito delicado e profundo disfarçado na forma de algo muito dinâmico e sagaz, uma mescla muito bem sucedida e nada convencional entre beleza e cultura pop. No entanto, essa película é tão auto-referente, é tão Almodovar tentando ser Almodovar, que algo dessa delicadeza se perde pelo caminho. É isso, o filme é uma auto-paródia, e como toda paródia, exagera algumas características em detrimento de outras. Por isso, o que vemos é uma caricatura de Almodóvar, o que não deixa de ser espetacular. Reforço: espetacular!

Sábado reassisti “Elephant”, de Gus Van Sant, acompanhando outros colegas de classe. Cada vez me encanto mais pela grande coreografia que é esse filme. Domingo, fui a Havana. Comi em um dos melhores restaurantes da cidade, Los Nardos. Valeu super a pena. Afinal, onde se paga oito dólares por um big prato delicioso de camarões enormes e piña colada? E já não suporto a comida do comedor. Emagreci 2 quilos aqui. Depois do almoço, caminhamos bastante, e conheci praças e ruas, prédios, a catedral de Havana e passei pelo bar Floridita, em que Hemingway costumava tomar seus daiquiris quando viveu em Cuba – ainda não os provei, mas oportunidades não faltarão. 

Depois, já na escola, assisti “Eraserhead”, do David Linch - amei cada frame.Uma impressão (mudando total de assunto): Arrisco dizer que  não há quase homofobia em Cuba. As pessoas são todas instruídas – o que é diferente de educado, que fique claro - e boa parte é culta e isso, claro, influe completamente na maneira das pessoas em lidar com a diferença. Havana é mais gay que São Paulo, sente-se isso no ar. Meu amigo cubano, Jorge, diz que todos os homens cubanos se não são gays, são bissexuais. Lógico que está exagerando, mas entendo um pouco do que quer dizer. Sente-se um pouco disso nos olhares. Inclusive, o pai de Jorge está viúvo e, hoje, praticamente vive com outro homem.  Não há festas abertamente gays, são supostamente proibidas, embora ninguém mais faça nada contra elas. Cada fim de semana ‘la fiesta’ ocorre em um lugar diferente, e nunca se sabe onde. Dizem que são bem trash, mas adoraria ir, como experiência antropologica. Para chegar na fiesta, basta entrar em algum táxi no centro de Havana e dizer: “Voy a la fiesta.” Os taxistas saberão onde te levar.

Perguntei aos cubanos de onde veio essa aceitação, já que vivemos sobre a mesma cultura machista latino-americana. Muitos me disseram que 1) faz parte do fato de todos serem instruídos 2) com o enfraquecimento do regime revolucionário a homossexualidade deixou de ser tabu 3)como boa parte do turismo em Cuba é sexual, as famílias mais necessitadas até incentivam seus filhos – mesmo que não sejam gays - a fazer programas, constituindo assim boa parte da renda dessas famílias. Pode parecer triste, mas pelo que vejo aqui, a prostituição tampouco é um tabu forte como para a gente. Lógico que se 2 homens se beijam no centro de Havana de dia pode ser que alguém mexa com eles, ou faça pouco caso, como em qualquer lugar. Mas tampouco creio que passe disso.

P.S: Curioso para ver a parada gay daqui (embora eu não seja muito entusiasta de paradas), no ano que vem. Ela tem o apoio da filha de Raul (sim, o Castro) que, dizem, é uma mulher de seus 40 anos super avant-guard e apoiadora total do movimento.

Seguem algumas fotos de frases de pessoas famosas que passaram pela escola e deixaram suas marcas pelas paredes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Gustavo Vinagre às 19h22

tragedia, cervejas e cinema - 03/10/2009

 

Começamos a ver os russos da década de 20 nas aulas de história do cinema, e também as comédias americanas da mesma época. Por isso, na quinta-feira, tivemos projeção, à noite, de O Encouraçado Potenkim, em uma versão que, supostamente, era a preferida de Eisenstein. Depois, assistimos a uma série de ótimos curtas dos mais importantes comediante americanos da época: Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton, Harry Langdon e Laurel e Hardy.
Nas aulas de guión analisamos o roteiro de "Telma e Louise", como exemplo de roteiro clássico, onde pode se ver com clareza os pontos de giro, detonantes, motivações e conflitos dos personagens, climax, plantings, ect.
Na aula de sexta, começamos a estudar o modelo actancial, começando pela Morfologia do Conto, de Vladimir Prop. Não gosto do modelo do Prop, mas logo chegaremos a Greimas. Depois, assistimos a um ótimo curta norte-americano chamado "Five feet high and rising", e aplicamos junto com o professor o modelo de Prop sobre os personagens do curta.
Na noite de sexta, tivemos projeção do filme argentino "A História Oficial". Devemos identificar sobre essa história da ditadura argentina tudo o que aprendemos em roteiro até agora, e apresentar nossos pontos de vista na segunda-feira ao professor.
Na sexta, teríamos festas das cátedras de roteiro, produção e som – toda cátedra tem sua festa, uma espécie de iniciação para os alunos do primeiro ano. No entanto, a família do professor veio recolher seu corpo e as festas foram canceladas.
Hoje, sábado, vamos ver Abrazos Rotos, do Almodovar.


Definindo o projeto ilha
-  Tive uma idéia.
-  Hum...
- Conseguimos um pedaço de terra. Um pedaço de terra considerável...
- Quão considerável?
- O ideal seria uma ilha. Por conta da possibilidade de controlá-la melhor, patrulhá-la. Mas, sobretudo, por conta de toda a simbologia das ilhas – coisas que as pessoas criam para deixar suas tristezas mais bonitas. Isso do isolamento de se viver em uma ilha, isso de estar flutuando cercado por mar, isso dos portos, isso dos estrangeiros que chegam apenas de passagem...
- Sim, continue.
- Pois então, elijo uma ilha. Justificando assim: por que é da natureza humana embelezar seus flagelos, tranformando-os em autoflagelos poéticos.
- Bem justificado.
- Bom, então faremos tudo diferente. Outro sistema: onde todos sejam iguais e o dinheiro não governe tudo.
- Criativo.
- Bajulador... Depois que instalarmos o sistema, chamaremos todo o mundo para ver como tudo é diferente.  Irão americanos rosados com suas ropas de safári, japoneses com suas câmeras fotográficas histéricas, intelectuais europeus e suas boinas e seus cigarros seguidos, estudantes universitários latino americanos envolvidos com o movimento estudantil e suas chinelas rasteirinhas de couro e muito dinheiro no bolso... Todos atraídos pela sedutora diferença da igualdade.
- Ambicioso.
- Ambição é indispensável para qualquer negócio.
- E quando chegarem à ilha?
- Vão se decepcionar, por certo. Haverá desigualdade, muita dificuldade.
-...?
- Apesar disso, vão estar encantados. As pessoas preferem a tragédia, preferem a surpresa à confirmação. Irão e verão tudo ao inverso do que haviam imaginado. Assim, cada qual pensará que é capaz de ver mais coisas que o outro. Voltarão aos seus países dizendo que toda a propaganda sobre a ilha era falsa. Dirão isso orgulhosos, como se só eles possuíssem os olhos especiais para ver a realidade.
- Então, depois dos primeiros, outros não irão voltar?
- Claro que sim. Mais e mais. Isso só aumentará a curiosidade das pessoas. Ambiguidades, paradoxos: ingredientes essenciais para criar um mito.
- E como vai ser a estadia na ilha?
- Seria como assistir “Survivor”. Veriam o povo da ilha passando dificuldades que nunca sofreriam: uma espécie de catarse ficcional. Vão se sentir generosos como madre Teresa de Calcutá ao deixarem cair uma moedinha de seus bolsos. E, quando voltarem aos seus países de origem, pensarão que suas casas e suas vidas desgraçadas são demasiadamente melhores do que lhes parecia antes. “Não há lugar como o nosso lar”, já dizia a sábia Dorothy.
- Nice. E qual será a principal atividade econômica da ilha, seu sustento?
- Algumas poucas, não sei ainda, qualquer uma, é indiferente. Muitos financiarão a ilha: por culpa, fascinação, idiotice. Sempre estarão nos patrocinando, e o povo não terá muito onde trabalhar. O papel principal do povo será atuar essa dor, essa falta, pelas ruas da ilha – embora nunca façam idéia de que estão atuando, e estejam de fato sentindo dor e falta.
- Isso me soa cada vez melhor.
- Como o povo da ilha estará proibido de sair dela, isso permitirá que todos os visitantes vivenciam o grande amor de suas vidas lá. Sim, por que as pessoas só vivem grandes amores de suas vidas quando têm a certeza de que podem abandoná-los definitivamente. Vão se entregar a esses amores de corpo e alma, vão se sentir humanos como nunca antes, por que saberão que, ao final, o amor vai ficar ilhado, intacto, em seus corações e na ilha. De volta aos seus países, continuarão com suas vidas medíocres, pensando a cada 3 ou 4 meses, como tudo teria sido diferente se pudessem ter levado seus grandes amores consigo. Mas, no fundo, contentes pela distância, por essa dorzinha, pela beleza de um amor cristalizado pela falta de um cotidiano que, para eles, sempre acaba por matar um amor. As pessoas já não sabem mais amar por muito tempo.
- Impressionante, você tem tudo pensado nos mínimos detalhes.
- Prosperidade, companheiro. Há que ser astuto.Tudo isso, esses disparates, essas incongruências, gerarão polêmicas, discussões, e até guerras, que só servirão para aumentar a nossa audiência. A ilha será um grande borrão no mapa múndi, que todos quererão ver de perto para entender.  Na verdade, o que querem é tornarem-se borrões também. O homem está sempre buscando a inconsciência. Por isso, na ilha tudo vai ser tão raro como em um sonho. Quem passar pela ilha viverá felizes momentos de estranhamento, como em um filme de David Lynch. Serão sonâmbulos satisfeitos.
- Lindo, lindo.
- Obrigado. Seu papel já está garantido nisso tudo, não se preocupe.
- Fico lisonjeado. Mas, afinal, como chamaremos esse novo sistema?
- Turismo.

 

 

Por Gustavo Vinagre às 19h09

01/10/2009

Projeções 


Na segunda à noite assistimos para a aula de roteiro “O Apartamento”, de Billy Wilder. Divertido, como sempre. As aulas de roteiro têm sido ótimas. Em 2 dias, aprendemos o basicão da estrutura de um roteiro clássico, depois assistimos a curtas e tentamos juntos encontrar o conflito do personagem, suas motivações, os pontos de virada de cada filme, seu clímax e sua resolução. Hoje, precisamos entregar por escrito onde pensamos que estejam essas categorias no filme de Billy Wilder.  
Na terça à noite, houve projeção para a aula de história do cinema. Primeiro, vimos 6 curtas da década de 10. Alguns muito simpáticos e desconhecidos para mim, como “Japoneses Acrobatas”  e “Dancing Pig”, outros mais clássicos como “Viagem à Lua” de Melies.  Depois, assistimos a “The Last Man”, do Murnau, de 1913, se não me engano. Um filme cheio de avanços de linguagem – contém o primeiro zoom in e o primeiro zoom out da história do cinema (simulados, claro, mas muito bem simulados, uma vez que ainda não existia zoom).  Noitei um recurso que nunca mais vi em nenhum outro filme: em uma cena específica, uma velha grita de um prédio para outra que está em outro edifício. Então, vemos um zoom in até a orelha da velha que escuta, representando o som chegando em seu ouvido. Não me acordo de jamais ter visto outro zoom representando som – ou o zoom representa um olhar que está se concentrando em determinado objeto ou situação, ou representa algum objeto que voa ou vai de encontro a outro.  
As aulas de espanhol finalmente engataram em um ritmo bom. Ah, e esqueci de contar, estou assistindo  também aulas de português. Quem dá é a Camila, uma brasileira supimpa de roteiro. Primeiro ela passa uma canção, depois os alunos dizem o que conseguiram entender. Depois ela passa a letra da musica, e ouvimos de novo. E aí trabalhamos vocabulário e um pouco de gramática. Eu sempre acabo aprendendo espanhol por tabela. E é muito legal ver os outros alunos cantando em português, sem falar que aproveito e ponho em dia a saudade da música brasileira.
Bom, preciso ir que aula já vai começar.


 
Puxadinho
 
Hoje, segunda-feira, começamos pela manhã as aulas de História del Cine, com o cubano Jorge Yglesias, que é uma verdadeira enciclopédia, embora seja também uma diva muito chatinha. Vimos os básicos do começo do cinema, Lumiere, Melies, Griffith, tudo o que eu já havia visto. A surpresa foi assistir ao filme “Suspense”, dirigido por uma mulher chamada Lois Weber, em 1913. Com direito a avanços de linguagem significativos: primeiro plano nos personagens para acentuar suas emoções, câmera subjetiva olhando por buraco de fechadura, tela dividida em três ações diferentes. Muito bom.
Bom, agora a tarde, até as 17h30,  começaremos o curso de roteiro e narrativa. As coisas começam a ficar mais puxadas. Historia del cine pelas manhãs, roteiro às tardes e à noite duas projeções de filme obrigatórias, uma para cada matéria.
Saudades. 
 

 

Bom, a avaliação dos curtas de um minuto durou um dia e meio de aula. Foi muito legal, assistimos um por um, então os professores expunham suas opiniões e depois os alunos. Na noite de sexta houve uma projeção de todos os 40 curtas de um minuto para toda a escola. Como já disse, fiquei feliz com o resultado do meu. E assim que voltar ao Brasil, coloco-o no youtube. Depois da exibição, houve a premiação dos Cocos de Ouro.  Já é a segunda edição do prêmio, que é na verdade uma grande brincadeira, com categorias como “melhor assassino”, “melhor pior atuação”, “melhor cena de sexo em que a mulher gostaria de estar em outro lugar”. O meu concorreu uma vez, na categoria “personagem mais bizarro”. Sbado pela manhã assisti “Abril despedaçado” com alguns cubanos que estavam interessados. Já tinha assistido faz tempo, eu deveria ter uns 16 anos. E sinto em dizer, mas dessa segunda vez, o filme não me pareceu tão bom. Tirando a fotografia do Walter carvalho que é linda,  o filme esfrega as metáforas na cara do espectador, e, como se não bastasse, ainda há diálogos redundantes, e um narrador supérfluo reexplicando tudo que já está óbvio. Não vou muito com narradores em filmes, sempre me soam como sobrando – com exceções, como em “Lavoura Arcaica”, em que o narrador não tenta legendar o filme, mas diz coisas muito interessantes. Também não gosto da atuação do Santoro. Ah, e a cena em que seu personagem roda a jovem na corda durante um dia inteiro é, na minha opinião, a pior metáfora do encontro amoroso já feita. Os cubanos pensaram o mesmo que eu.

Às 17h, fui para Havana - bom ir mais tarde, quando o calor e o sol são mais aturáveis. Precisava entregar um dinheiro para uma cubana, enviado por seu filho que está no Brasil, no bairro de La Playa. Fabian, roteirista cubano, foi comigo, para que eu não me perdesse. Pegamos  um táxi super barato, que geralmente os turistas não usam. Um chevrolet de quando guaraná tinha rolha. Enfim, conheci a mãe de Efraín Rodriguez, reconhecido poeta cubano. Foi rápido, apenas entreguei o dinheiro a ela e conheci a casa, cheia de quadros interessantíssimos. Mas prometi voltar para comer seu típico almoço cubano.

Domingo foi um dia de me inteirar de algumas das pelis que precisamos ver para o curso de roteiro, que começa hoje, segunda. Assisti uma húngara,” Nidos Familiares”, de Béla Tarr. Uma ótima apropriação da linguagem documental à ficção.  Depois, vi “El Acidente”, um filme inglês com roteiro de Harold Pinter que, simplesmente, é desastroso de ruim. Mais tarde, assisti “La Vieja Dama Indigna”, um filme preto-e-branco francês sobre uma velhinha que quando enviuva começa uma nova vida cheia de frescor - uma graça.  Não me acordo do diretor, mas é um filme bem antigo.  E, por fim, vi “El Hijo”, dos Dardenne, de quem, a cada dia, eu gosto mais. Depois, nos reunimos aos outros estudantes que estavam no centro de Havana e fomos ao Gran Teatro de la Habana, assistir a uma apresentação de flamenco, da Compañia Flamenca da Espanha, com direção de Antonio “El Pipa”. A dança foi simpática, embora nada de espetacular. O teatro, esse sim, é um espetáculo a parte.

 

 

 


 

 

 A Educacao Sentimental

 

Anteontem assistimos ao documentário San Clemente (França, 1980), de Raymond Depardon. Por uma hora e meia viajamos pelos corredores e quartos o hospital psiquiátrico San Clemente, em Veneza. Um lindo filme, com um olhar sensível e terno sobre a loucura e a relação paciente-médico-familiares. O longa levantou polêmica entre a turma. Muitos acharam que o diretor tentou ridicularizar a doença , buscando sempre as coisas engraçadas nos loucos. Eu discordo completamente. A risada está em quem se ri, e não na tela. Depois da segunda brincadeira dos loucos –muitas vezes brincadeiras repetitivas – eu já estava achando tudo muito obscuro e nada cômico. E o filme é bom justamente por isso – nos faz questionar o que realmente é a loucura, em que atos se esconde a loucura, onde está a graça na loucura... Me fez lembrar de um ótimo curta documental de um amigo brasileiro, José Ricardo Junior, que trata de um grupo de terapia para loucos em que os loucos aprendem interpretação para representar a própria loucura.
Infelizmente, não me lembro do nome do curta. A semana tem sido intensa desde segunda, com os grupos gravando o exercício de um minuto.
Ontem gravei e editei o meu. Hoje acordei as 6 da manhã para gravar o de um colega, na piscina. E depois, às 10h, outro. Sexta os curtas serão avaliados individualmente e depois exibidos para toda a escola.

O meu se chama A Educacao Sentimental, e eh sobre uma muchacha prestes a ser expulsa de sua escola, na sala da diretora, que lhe diz que tem um minuto para justificar-se. A menina começa, então, a imaginar várias situações absurdas, chatageando, subornando, seduzindo, etc, a diretora. Para cada situação imaginada tentei dar uma fotografia e uma linguagem específicas, para que cada uma estivesse ligada a um gênero cinematográfico. Na primeira, vemos a menina dizendo que seu pai é um político muito influente (fotografia fria, azulada),  a diretora conta notas de dinheiro, a câmera se move para as costas da diretora e sai no ombro oposto já para a segunda situação: menina diz que não tem culpa, é uma invasão alienígena, e uma mão verde aparece sobre a mesa (fotografia esverdeada, grande angular).

Depois vemos a menina fumando, em preto e branco, dizendo “nada tengo a decir. La comunicación es el problema”. Ela diz isso e olha para a câmera, que se movimenta até o rosto da professora, que parece de saco cheio. A intenção era fazer algo meio nouvelle vague. Depois a menina ameaça a diretora com uma bomba na barriga. Em outra toma, a professora rasga uma foto e apenas  escutamos a menina dizendo irônicamente “Tenho muitas cópias, e o seu amante tem um lindo traseiro”.

Depois, em sépia, como filme mudo, a menina toma um frasco de veneno e cai morta sobre a mesa. Por fim, a menina está de maria-chiquinhas como uma criança e entrega uma tartaruga para a câmera (cor amarelada, funciona em coisas infantis e cômicas, creio eu). Então voltamos à realidade e vemos que a menina está apenas chorando sobre a mesa, pedindo desculpas. A diretora diz “No hay problema” e começa a abrir os botões de sua camisa, insinuando-se. Eu, pessoalmente, achei o resultado bem engraçado, e adorei poder trabalhar com comédia ao mesmo tempo em  que mini-trabalhava gêneros como ação, infantil, ficção científica, etc.  Curioso pela avaliacao dos professores e da turma.

Por Gustavo Vinagre às 19h07

19/09/2009

 

O taller com Hector Mollina tem sido ótimo. Na terça, fomos novamente à praia de Baracoa, no horário das aulas, para fazer dois exercícios em grupos de 4 pessoas. Em um deles, precisamos fazer 12 fotos e legandá-las. No outro, precisamos fazer 12 fotos e gravar 12 sons para ilustrar cada foto. O tema era "voltando à infância". Passamos toda a manhã conversando e fotografando Dona Lídia, uma viejita de 61 anos, que vive sozinha e perdeu os 5 filhos em um acidente de carro. Foi super emocionante. Uma figura perfeita para documentário, contou sua vida, contou piadas, chorou, cantou músicas... Enfim, ela se tornou objeto de nosso trabalho com fotos e sons. A outra tarea foi com 2 meninos que encontramos caçando lagartos, e decapitando-os.

Ontem, tivemos outro trabalho com Hector. Precisávamos, em grupos de 4 ou 5, gravar um filme de 1 minutos, com 12 planos de 5 segundos. E precisávamos escolher entre gravar tudo com câmera fixa e personagem em movimento, ou personagem estático e câmera em movimento. O tema era "mulher". Filmamos e editamos tudo ontem, e agora acabamos de ver o resultado em classe. Tudo bem legal.

Ontem, recebemos a visita do Ministro da Cultura do Brasil e do secretário do audiovisual. Vieram para váriso compromissos, inclusive oficializar a ajuda que dão anualmente à escola –pelo o que eu entendi. Todos os alunos brasileiros se reuniram na sala Glauber Rocha para ouvi-los. Foi emocionante, parecerem pessoas realmente interessadas em fazer algo pela cultura. Falaram de números assustadores da cultura brasileira – como, por exemplo, a tiragem média de um livro no Brasil é menor que a tiragem de um livro em Cuba (que é um país de apenas 12 milhões de habitantes) e a dificuldade de exibição e distribuição em nosso próprio país, dominado por distribuidoras norte-americanas. Depois, a escola havia preparado uma mesa gigante para todos os brasileiros, e almoçamos todos juntos. Nada demais, a mesma comida de sempre.

Ontem assistimos a O Silêncio de Lorna. Ótimo. Me encanta como os Dardenne (é assim que escreve?) fazem tanto com tão pouco recurso.

Hoje a noite, veremos O Anticristo. Vou revê-lo com mucho gusto. Amanhã teremos uma festa mexicana na escuela.


 

Bom, vimos O Anticristo ontem. Tava praticamente todo mundo na Glauber Rocha para a exibição. Mais uma vez, amei o filme. Eu diria que está no meu top 10, e que é uma verdadeira obra-prima. Nunca vi nada tão profundo sobre a psiquê humana, traduzido em imagens esplendorosas.

Aliás, ontem foi um dia corrido. Tivemos mais um exercício de 1 minuto. O mesmo exercício, só que, dessa vez, o tema era homem. Terminamos de editar as 4 da manhã e estou exuato hoje. Já já começa a festa mexicana, para comemorarmos a independência do México, que foi outro dia desse.

Agora, me preparo para o exercício oficial de um minuto, que gravo na segunda. Esse não é em grupo. Digo, há um grupo, mas cada um dirige o seu individual, e trabalhamos nos filmes de todos. O meu será sobre uma menina na sala da diretora, prestes a ser expulsa. Acho que vai ficar hilário. Quem vai atuar é Camélia, a cubana mais querida que estuda na escola e que é a pessoa que mais palavras fala por segundo na face da terra. E a Tanya Valette, diretora real da escola, será a diretora.


Ontem, assistimos a outro lindo filme: “Pieza inconclusa para piano mecánico”, de Nikita Mikhalkov (URSS, 1977). Linda fotografia, grande
direção de atores. Uma adaptação livre de Platonov, de Tchekov. Depois, festa mexicana com direito a comidas típicas, tequila e
apresentação de mariachis. Não foi tão animada como a da semana passada – a festa dos mijitos – mas foi emocionante, especialmente pelas canções
mexicanas.

Hoje, pela manhã, os sobreviventes da festa  - 17 alunos, incluindo eu – fomos conhecer a Fundación del nuevo cine latino-americano. Uma linda
casa, que como a escuela, também tem uma sala de projeção chamada Glauber Rocha. Glauber é deus em Cuba. A Fundacão conta com acervo grande, e um
site bem completo sobre cinema latinoamericano, vale a pena dar uma olhada. Conhecemos aí, Julio Garcia Espinosa, um dos fundadores da
escuela, junto com Gabriel Garcia Marquez.

Depois, fomos a uma linda casa, onde vivem os diretores da fundação. Comemos no pátio da casa, que dá para o mar. Comemos bem, paella, pizza,
frango, pamonha, batata doce frita. Tudo muito bom. Mojitos a vontade. A comida da escuela não é má, mas qualquer coisa diferente nos parece sempre
um banquete.

Por Gustavo Vinagre às 18h44

Uma semana em Cuba - 10/09/2009

Uma semana em Cuba se passou como um ano. A viagem de avião foi ótima. Eu e os outros quatro brasileiros, que, como dizem aqui, são todos mucha buena onda, enchemos a cara com os comissários de bordo na cauda do avião até o Panamá e depois também do Panamá a Cuba. Chegamos muy borrachos na Escuela, ao redor da 1 da manhã do dia 2. Nunca senti tanto calor e nunca suei tanto na minha vida. No aeroporto, havia um motorista da escola para nos buscar. Colocamos nossas malas em uma Kombi bem velha e nos pusemos a caminho de San Antonio de los Banos. Lua cheia linda. E mato, mato, muito mato. Eu fui na frente, com o motorista. Ele pediu que alguém fosse na frente, então eu fui. Mas não conversamos uma palavra. Creio que não queria se sentir tão motorista. 40 minutos até a escola. A imagem que mais me marcou nesse primeiro dia era esse: uma estrada, mato ao redor, a lua no céu, e o mais forte, a falta de janelas na parte da frente do carro, o vento entrando, e insetos grandes - creio que gafanhotos - batendo no pára-brisa como um tiro.

Do primeiro ano, nós brasileiros fomos os primeiros a chegar. As instalações da escola superaram as minhas expectativas. Uma linda piscina olímpica - há uma lenda de que foi Fidel quem disse "é preciso ter um piscina aqui", e então, ele próprio, contou o tamanho da piscina no terreno com seus passos - um largo hall de entrada com muitas mesas de mármore e encantadoras cadeiras que os cubanos chamam de "africanas". O quarto bem maior do que eu imaginava - cama confortável, uma bela escrivaninha com muitas gavetas para estudarmos, uma penteadeira enorme com um espelho de corpo todo, um ventilador de teto, dois criados mudos, oito tomadas, janelas grandes e a possibilidade de pintarmos as paredes ao nosso gosto. Por sorte, meu quarto não estava todo rabiscado como a maioria deles, mas, infelizmente, fui o único que ganhei um quarto com baratas. Três voadoras bem grandes em meu banheiro. Mas assim que vi as cucarachas avisei a escola, e dois dias depois detetizaram o meu quarto.

No comedor a comida é como a do bandejão da USP, em termos de qualidade. Não há muita variedade, e falta um pouco de tempero em tudo. Mas como sou um avestruz, como tudo com mucho gusto.

Nos primeiros cinco dias (antes das aulas), me sentia como um turista, em um hotel. Piscina o dia todo, novos alunos chegando todos os dias, e muita coisa nova ao redor. Festas e bebedeira todos os dias. Ao mesmo tempo tinha uma sensação muito exaustiva de ter que conseguir assunto com as pessoas e pior, falar em outra língua. O espanhol é muito, mas muito mais difícil que eu imaginava. No começo é tudo novidade, mas agora já começo a passar por um período de crise e estafa, me sinto um pequeno zumbi, não tenho dormido praticamente nada, sinto como se meu consciente e o subconsciente estivessem sobrecarregados com o excesso de informações.

Sábado fomos a Havana. Encantadora Havana. Quero voltar todos os fins de semana. Cerca de 40 minutos, uma incrível tempestade por todo o caminho, com direito a relâmpagos incendiando árvores. Em Havana, caminhos a beira mar, conhecemos um pouco do centro e fomos comer no bairro Chino. À noite, eu, Rodrigo - outro brasileiro - e Maurício - guatemalteco - nos separamos do grupo que foi ao teatro e fomos a uma festa de uma chica do segundo ano, no bairro La Playa. Pegamos um coco táxi até lá, que é um pouco longe. Atravessamos toda a beira- mar ao pôr-do-sol, e havia uma luz muito peculiar na água, reflexo da lua cheia. A festa em La Playa foi incrível, são todos muito simpáticos e parece haver pouquíssima preocupação com violência por aqui. La Playa é um bairro com mansões impressionantes.

Outra curiosidade: aqui todos são loucos por novelas brasileiras. Uma mulher que trabalha na mediateca me disse: "o melhor da TV cubana são as novelas brasileiras." É impossível parar para tomar um café sem que todos os funcionários te perguntem o que vai acontecer em "Páginas da Vida", a novela que está passando no momento.


No dia 7 de setembro começaram as aulas. Primeiro, houve um pequeno discurso falando da nossa geração, a geração 21 da escuela. A independência do Brasil também foi citada. Depois, todos os alunos precisaram fazer parte de um ritual que consistia em regar três árvores - uma representando a América Latina, outra a África e outra a Ásia.

Depois, começamos as aulas. Essa semana estamos tendo aula com o Geraldo Moraes, de lenguage cinematográfico. Tudo bem introdutório ainda. Depois, as 17h30, fomos assistir alguns curtas de trabalhos da escola. Alguns muito bons, como o excelente "Os Minutos e as Horas" da brasileira Janaína Marques e o documentário "La Tarea", sobre uma menina cubana de cerca de 10 anos que precisa fazer uma redação para a escola sobre sua família e tem que encarar o fato de que sua mãe é lésbica. Às 21h, assistimos a primeira das muitas projeções que teremos diariamente: "Glauber: O labirinto do Brasil", um documentário super informativo sobre a vida do diretor. Feio, mas informativo.

Ontem, terça-feira, assistimos a Teta Assustada, que super recomendo. Um sensibilíssimo filme peruano que trata de uma jovem indígena que precisa se livrar de suas origens para continuar viva. Além disse, os brasileiros temos aulas de espanhol às 8h às terças e quintas, com a professora cubana e queridíssima Bárbara. E logo começaremos todos o francês e o inglês (o inglês não farei). E vamos que vamos. A seguir, algumas fotinhas de tudo.

Ah, já ia esquecendo. Há uma maneira de ganharmos dinheiro aqui em Cuba. Há uma tenda do lado da escola que vende bebidas bem baratas. Todo aluno tem direito a duas caixas de cerveja por semana, que custam, ao todo, 27 CUC. E os funcionários da escola compram nossas caixas de nós por 34 CUC, para revender em Havana. Ou seja, semanalmente temos um lucro de 7 CUC, cerca de 8 dólares. Tah bom, não é?

  

Por Gustavo Vinagre às 18h32

quase lá - 28/08/2009

tudo quase pronto. a passagem finalmente chegou hj. finalmente. vou dia 1, terça-feira, 12h45 e chego ao panamá 17h42. saio do panamá as 18h56 e chego em havana as 22h31. visto eu desisti. há a possibilidade de comprar um visto de turista por 25 dólares no aeroporto de havana, e depois conseguir o de estudante na própria escuela. ufa, assim jamais terei que ver a cara do psicopata do consulado de cuba em são paulo na minha vida toda. isso já me faz me sentir uma pessoa mais feliz. hahaha

dúvida: alguém sabe afinl me dizer qual é o fuso em cuba?

Por Gustavo Vinagre às 18h28

semana com a mamãe - 21/08/2009

Vim passar uma semana com a minha mãe, em São José dos Campos, e minha penúltima semana no Brasil. Minha mãe alugou um filme, recomendado por uma amiga dela, chamado Cidade Perdida. Um filme sobre a revolução cubana dirigido pelo Andy - cara congelada - Garcia. Nem chegamos a metade do filme, e queríamos socar a TV de tão chato que é o filme. Atuações péssimas - especialmente de Andy Garcia - roteiro sem ritmo, música irritante, e pasmem: um Bill Murray sem a menor graça. Zero de química entre os atores, personagens (ou atores?) sem o menor carisma. Não assistimos inteiro. Leitor, não perca o seu tempo! chato chato chato. Filme quando é bom, quase 100% das vezes é bom desde o primeiro plano. 

Por Gustavo Vinagre às 18h27

draminha do visto - 21/08/2009

Há quase 2 semanas meu visto foi liberado. um email do consulado em São Paulo dizia que eu deveria ir buscá-lo, levando apenas o passaporte. chegando lá, um cubano super mal educado disse que eu deveria ter levado as passagens e que ele só daria o visto vendo as passagens de ida e volta - que eu não tenho ainda, uma vez que foram cedidas pelo ministério da cultura. tento explicar isso para o cara, que só falta cuspir na minha cara e me manda voltar com as passagens. escrevo um email contando o ocorrido para os encarregados no ministério da cultura. eles dizem que jamais pediram para ver as passagens dos alunos da EICTV, que isso era novidade e que eu levasse ao consulado o comprovante do pedido das passagens. fui ao consulado novamente, no dia seguinte. 3 horas na fila. quando fui atendido, e expliquei que levava o pedido do ministério da cultura, o fulano grita cmg e diz: "aqui quem manda somos nós, o ministério da cultura não manda nada aqui. volte com as passagens." pseudo ditador do caralho! o fulano trabalha de segunda a quinta, de 9h ao 12h, ganha bem, não faz porra nenhuma e ainda se acha no direito de ser estúpido?
respirei fundo e pensei: o que é dele tá guardado, e fui para casa com as mãos - ainda - abanando.

Por Gustavo Vinagre às 18h26

vídeo institucional - 11/08/2009

Achei o novo vídeo institucional da escola. É bacana por que é possível ver alguns dos alunos que estão lá no momento. Eles dizem de que país são, e falam o que aprenderam na escuela além de cinema. Aí começa o lance meio piegas: "aqui se aprende a viver", "a respeitar as diferenças", e blá blá blá. Bom, em pequena escala isso pode até ser verdade, mas na real, a maioria das pessoas lá não têm menos de 25 anos, então já estão bem grandinha para aprender a viver tanto assim... hehe Veremos, quem sabe eu não me surpreendo.

Por Gustavo Vinagre às 18h24

comunidade do orkut - 10/08/2009

 

Fuçando no orkut, achei duas comunidades relacionadas à EICTV. Eu quero estudar na EICTV - que só tem 3 participantes hahaha e não parece nada séria. E EICTV - Cuba, com 347 membros, e algumas informações interessantes. Confira-as aqui e aqui.

Por Gustavo Vinagre às 18h21

Prova - 10/08/2009

Fiz a prova da EICTV em Belo Horizonte, o lugar mais próximo para mim, que moro em São Paulo. Alega-se que não existe prova em São Paulo por que são os próprios ex-alunos interessados que organizam as provas - no caso, não existiria uma pessoa assim em SP. Na verdade, para mim, isso já é uma ótima estratégia de seleção. Se houvesse provas em São Paulo, ia aparecer tanta mais tanta gente, que ia ser infernal corrigir as provas, e mesmo que os paulistanos passassem, a chance de haver desistência entre eles seria maior, eu acho. Só quem realmente está disposto sai de São Paulo e vai fazer uma prova em BH. Ou seja, uma bela triagem inicial. 

Bom, a prova começou logo cedo em BH, na prefeitura, durou ao todo 4 horas. Eram 2 provas escritas. A primeira de conhecimento geral, com, se não me engano, 20 questões. Tudo meio básico. Eles querem conhecer suas referências literárias, cinematográficas, musicais, etc. A outra prova é mais prática e referente a especialidade escolhida. A minha prova de roteiro era repleta de exercícios bacanas de roteiro: misture situação A e B e C, faça um argumento, e dê um desfecho. Coisas do tipo. Tbm cerca de 20 questões. Parece simples, mas é bem cansativo. Eles exigem que voê escreva uma lauda inteira para cada resposta. Ou seja, é preciso escrever bastante. 

As provas são corrigidas no mesmo dia. Eu fiquei vagando por BH, enchendo um pouco a cara com os outros estudantes em potencial. Lá pelas 19h, a comissão seletiva telefonou, dando o nome de quem havia passado para a segunda fase. A segunda fase da seleção é no dia seguinte e é uma entrevista. Dormi em um albergue em BH.  A entrevista consiste em 5 caras fazendo perguntas, por cerca de 20 minutos. E eles gravam tudo. Perguntam um pouco mais de suas referências, perguntam qual seria sua contribuição para o cinema brasileiro, coisas do tipo, nada muito dramático não. Depois, eles enviam sua fita com a entrevista e seu portfólio para Cuba e, lá, eles decidem quem passa.

Mais ou menos 4 meses depois eles avisam, por email, quem foi selecionado. São sempre 4 ou 5 brasileiros selecionados. Segundo eles, a seleção independe da sua especilidade, embora eles tentem balancear com a quantidade de especialidades dos candidatos de outras nacionalidades. Por exemplo, se no Brasil houverem 2 roteiristas muito bons e nenhuma pessoa para edição, eles escolherão os 2 roteiristas. No entanto, isso precisa antes ser pensado em relação a quantidade de pessoas que prestaram roteiro no mundo todo. Enfim, não sei se fui bem claro, mas é quase isso. hehe

Por Gustavo Vinagre às 18h20

Inscrição - 10/08/2009

Para os interessados em prestar a seletiva da EICTV no ano que vem, vou reproduzir aqui o comunicado de abertura de inscrições para o processo seletivo 2009, só para terem uma idéia:

Pela 13ª vez, Belo Horizonte sedia os exames de seleção para estudantes brasileiro do Processo Seletivo 2009/2012 da EICTV, de Cuba. As inscrições estão abertas até o dia 18 de março. As provas serão aplicadas nos dias 20 e 21 de março. As provas acontecerão também em Recife – PE, Florianópolis – SC e Campo Grande – MS.

Serão oferecidas sete especializações – Produção, Roteiro, Direção, Fotografia, Som, Documentário e Edição.

Cada candidato deverá optar por uma destas especializações. Do Brasil, serão selecionados de quatro a seis candidatos que irão fazer parte de um grupo multinacional de 40 estudantes da América Latina, Caribe, Estados Unidos, África e da Comunidade Européia. O curso tem duração de 3 anos.O início está previsto para setembro de 2009 e término em julho de 2012.

Condições e Documentos exigidos:
1) Nacionalidade brasileira.
2) Ter Idade entre 22 e 29 anos.
3) Preencher e enviar por e-mail a ficha de inscrição para a comissão do local onde fará a prova (O candidato deve levar uma cópia impressa, no dia da prova).
4) Apresentar Certificados legais de estudos que demonstrem que concluiu dois anos de estudos superiores sistemáticos, técnicos ou universitários em qualquer carreira. (Apresentar os Títulos ou Diplomas em fotocópias legais).
5) Responder a duas provas escritas, sendo uma de conhecimentos gerais sobre aspectos culturais e outra da área específica, eleita pelo candidato. Os aprovados passarão também por uma entrevista oral.
6) Apresentar seu currículo impresso.
7) Apresentar Carta de motivação, que justifique seu interesse em estudar cinema. No caso de este texto estar escrito em português, o candidato deve apresentar uma cópia em espanhol.
8)Apresentar um Auto-retrato do candidato, em qualquer suporte, técnica ou formato.
9) Apresentar um Arquivo pessoal (de materiais em cine, vídeo, foto fixa, música, artes gráficas, literatura, teatro, imprensa, etc.) em cuja elaboração haja participado ou desempenhado um papel significativo e criativo, e que seu nome figure nos créditos da mesma.
10) Apresentar uma carta de Aval, de pessoa ou de Instituição que se encarregará da matrícula, com contatos.
11) Taxa de inscrição – 40 reais (o pagamento deve ser efetuado em dinheiro, no dia da prova).
12) Entregar seis fotos, tamanho 10×10cm. Uma das fotos deverá ser afixada no local apropriado da ficha de inscrição.
13) Certificado médico de aptidão física e mental. Os documentos e materiais deverão ser entregues no dia da Prova Informações sobre as provas Cada candidato responderá à 2 provas escritas: uma prova de conhecimentos gerais e uma prova correspondente à especialização que escolheu. Os candidatos aprovados nas provas escritas serão entrevistados no dia seguinte pela comissão julgadora, que realiza uma pré-seleção. O Conselho Docente da EICTV, sediado em Cuba, faz a seleção final. Os nomes dos candidatos selecionados para o curso regular 2009-2012 serão anunciados na segunda quinzena de junho.

A matrícula para os três anos tem um custo total de quinze mil euros (cinco mil euros por ano). Forma de pagamento: à vista (em setembro) ou em duas parcelas (setembro e janeiro). A matrícula cobre 25 por cento do custo real da formação do aluno, sendo 50 por cento assumidos pelo estado cubano e os outros 25 por cento pela própria escola. Os estudantes que ingressam no curso regular têm direito a hospedagem em quartos individuais, alimentação, transporte entre Havana e San Antonio de los Banos, assistência médica primária e de emergência, material escolar e produção integral dos trabalhos em cinema e vídeo. As provas escritas acontecem a partir das 8 h da manhã, do dia 20 de março. Informações e locais de inscrição: As fichas de inscrição serão disponibilizadas pela internet através dos sites, da Associação Curta Minas/ABD-MG (www.curtaminas.com.br), da Página 21 (www.pagina21.com.br), da Cinemateca Instituto Selvino Caramori. (www.instselvinocaramori.org.br) e da Associação de Cinema e Vídeo-MS / ABD-MS (acvms.blogspot.com). Após o preenchimento, favor enviar por e-mail a ficha de inscrição para a cidade onde você pretende realizar os exames. Belo Horizonte / MG eictvbh@yahoo.com.br Curta Minas – (31) 3201-9665 – Daniela ou João / 8476-2129 – Ana Luiza Recife / PE eictv@pagina21.com.br Página 21 – (81) 3421 7180 – Amaro Florianópolis / SC eictv@instselvinocaramori.org.br Instituto Selvino Caramori – (49) 3567-0011 – Carol Campo Grande / MS candal.abdms@gmail.com ACV-MS (Candido) – (67) 3345-7027 / (67) 9608-7066 – Candido Coordenação Geral: guigobh@yahoo.com Guigo Pádua 31 9635-1026

Por Gustavo Vinagre às 18h19

Benecio Del Toro, Robert Duvall, James Caan e Bill Murray em Cuba - 10/08/2009

 

Pois é, de acordo com a Reuters, os atores chegaram à ilha dia 30/07, para acompanhar de perto um "projeto de pesquisa" e conhecer as instalações do Instituto Cubano de Estudos Cinematográficos (ICAIC). Segundo a materia, reproduzida pela Folha Online, eles ficariam cerca de uma semana, e Del Toro estaria lá também por outros motivos, não revelados.
Me diz que o Del Toro resolveu dar uma esticadinha em sua estada e dar um curso na EICTV? Poxa, pelo menos uma passadinha por lá eles devem ter dado. Não?

Veja a matéria aqui:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u603062.shtml

 

Por Gustavo Vinagre às 18h18

Mudo - 07/08/2009

Meu cunhado coleciona filmes mudos, de todos os lugares, de todos os tipos, mudíssimos. Ele me deu um desafio, achar um filme mudo (da época dos filmes mudos) feito em Cuba. Será que existe? Eles já faziam filmes nessa época? Se alguém conhecer, me avisa. hehe

Por Gustavo Vinagre às 18h16

Mais sobre o blog

Bem, resumindo, chegando em Cuba pretendo publicar posts semanais sobre os professores, as matérias, os trabalhos, as produções, os filmes que verei por lá, os convidados ilustres e todo o burburinho que vier. A idéia é que seja um resumo semanal mas, se eu conseguir, farei inserções menores ao longo da semana. 

Ainda não disse, mas minha especialidade será roteiro. E esta é a lista dos outros 4 brasileiros que passaram e suas especialidades:

Rafael Trindade - fotografia - Passo Fundo/RS

Rodrigo Carneiro - edição - Mariana/MG

Marinete Pinheiro - documentário - Campo Grande/MS

Luiz Henrique Gehlen - som - Campo Grande/MS

Por Gustavo Vinagre às 18h14

Quase Nada

Não sou muito entendido de Cuba não. Só conheço o pouquíssimo que li e os poucos filmes que assisti. Ainda bem que vou ter tempo de me inteirar lá.

Li o ótimo e trágico Antes que Anoiteça, do Reinaldo Arenas - uma das poucas referências literárias que tenho de lá. Vale ver tbm o filme Before Night Falls, baseado no livro, com Javier Bardem interpretando Arenas e participação de Johnny Deep em 2 papéis. Segue o trailer:


Por Gustavo Vinagre às 18h12

Perolas

Bem, já cansei de falar do Pérolas por aí, meu primeiro curta. Mas como o suporte é novo, sempre é bom falar de novo. Ele, inclusive, fez parte do meu portfólio exigido pela EICTV como parte do processo seletivo. Espero que tenha me ajudado a passar. Bom, por alguma razão não estou conseguindo colar o vídeo no blog, então segue o link aqui.

Por Gustavo Vinagre às 18h08

Besame Mucho

No youtube dá para achar vários vídeos mostrando as instalações da escola, pequenos trechos de curtas, etc. Entre tantos, achei um vídeo extracurricular curioso feito na EICTV. O vídeo mostra uma corrente de beijos (na boca) entre os alunos. Apesar de super informal e despretensioso, ele é bacana por que mostra várias das instalações da escola, os laranjais em volta dela, e também alguns beijos gays e lésbicos que me deixam mais relaxado perante a ditadura cubana. Confira:


Por Gustavo Vinagre às 18h06

Visto/Visado

Há dois dias a Escuela nos mandou um número de rádio, com esse número devo ir a embaixada ou consulado, tirar o visto - ou visado, como eles falam lá. Telefonei para o Consulado em São Paulo e eles não foram nada simpáticos. Em todo o caso, parece que estão checando se tbm receberam o mesmo número de rádio - afinal, o que é um número de rádio? - para então liberar o visto.

Parece que também existe a opção de comprar um ticket de turista no aeroporto em Havana, custa 25 dólares, e depois conseguir uma permissão definitiva na escola. Tem gente que prefere essa opção, por que acham que depois não vão conseguir entrar em países como os EUA com um visto de Cuba no passaporte. Acho sempre melhor previnir do que remediar, e já vou com o visto normal mesmo

Por Gustavo Vinagre às 18h04

EICTV

Olá, sou Gustavo Vinagre, e a intenção desse blog é falar sobre o meu dia-a-dia na EICTV - Escuela Internacional de Cinema y Televisión de San Antonio de Los Banos em Cuba e, por tabela, falar de cinema (lógico) e de Cuba. Acho que o nome do blog resume bem tudo isso: Cuba na Câm(era).

Estou fazendo os preparativos finais para minha ida dia primeiro de setembro. Muito frio na barriga e curiosidade. Para quem não sabe, a EICTV é considerada uma das melhores do mundo (bom, isso eu vou checar lá, ok? no momento, só estou copiando a descrição que achei no site deles,
aqui. hehe), foi fundada em 15 de dezembro de 1986 pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, pelo poeta e cineasta argentino Fernando Birri e pelo cineasta cubano Julio Garcia Espinosa, para reunir estudantes da África, Ásia e América Latina (pelo o que sei, lá também está cheio de europeu, mas acho ótimo). Desde então, estudantes e profissionais de mais de 50 países já passaram pela escuela.

Por Gustavo Vinagre às 18h02

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Sobre o autor

Carioca paulistano, 24 anos, poeta do signo de Áries. Formado em Letras pela USP, agora estuda roteiro na Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Banos, Cuba.

Sobre o blog

Impressões sobre Cuba e relatos sobre o dia-a-dia na Escuela Internacional de Cine - os filmes que assistimos e discutimos, os exercícios, as festas, os alunos, os professores.