UOL Cinema

Cuba na Cam

22/03/2012

Tabloid e Nader e Simín, uma separação

“Tabloid” (EUA, 2010) de Errol Morris é um divertidíssimo documentário sobre uma ex-Miss Wyoming, com um QI altíssimo, acusada, em 1977, de seqüestrar seu namorado mórmon e de estuprar o pudico rapaz. Um dos méritos de “Tabloid” é conseguir manter o interesse em um documentário de entrevista através de personagens pitorescos e excêntricos e inovar de alguma maneira a linguagem do “talking heads”. Muito interessante como através de um personagem o diretor fala sobre toda uma nação alienada pelo jornalismo de fofoca e de um inconsciente coletivo marcada pelas narrativas melodramáticas. Se existe gênero dentro do documentário, esse seguramente é uma comédia satírica.

“Nader e Simín, uma separação” (Irã, 2011) de Asghar Farhadi, é o filme ganhador do Urso de Ouro de 2011 e do Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano e me pareceu um filme perfeito em todos os aspectos. É quase impossível destacar alguma área do filme, uma vez que tudo está em sintonia. No entanto, acho que algo emblemático desse filme é a maneira de enquadrar, que sempre corrobora a separação do casal protagonista do filme, a separação social e religiosa, a separação entre gerações, entre nações, etc.

Por Gustavo Vinagre às 11h59

Doculab, Viva las Antípodas, Cienfuegos

Já nem sei onde parei este relato. Aconteceu muita coisa desde então. O roteiro de longa-metragem que tenho que escrever como minha tese já passou pela mão de muitos assessores e professores, e segue na luta para transformar-se no que tem que ser. Já tenho uma primeira versão escrita, ainda sem título, e neste momento tenho a semana livre somente para me concentrar em reescrever. Muito contente com a notícia de que Paula Marcovitch  – roteirista de “Temporada de Patos” e “Lake Tahoe” e diretora de “El premio” – será minha professora em maio e também tutora da minha tese.

Bom, faz duas semanas fui ao Festival de Guadalajara, ao DocuLab, um laboratório para documentários em pós-produção que pretende discutir todas etapas desse processo (narrativa, edição, som, distribuição, etc), em que meu quase finalizado “Filme para Poeta Cego” foi um dos participantes. O meu filme foi analisado pelo documentarista mexicano Juan Carlos Rulfo, e foi bem recebido pelo público.  Juntos, todos chegaram à conclusão de que o filme está pronto. Agora mãos à obra para finalizar. O evento como tal é super válido para conhecer pessoas relacionadas ao documentário e recomendo para quem tenha um filme em pós em mãos, no entanto, acho que a seleção peca na escolha da maioria dos filmes participantes, que, no meu ponto de vista, se encontram muito mais em processo de investigação do que de pós-produção – o que pode ser um pouco chato de assistir. Também acho que se selecionassem menos filmes, poderiam discutir mais profundamente cada um dos projetos.

O único filme em competição que tive chance de assistir em Guadalajara foi o magnífico “Viva las Antípodas!” de Kossakovski, um filmaço que está em um nível superior de existência, onde o bem e o mal não existem. O filme retrata 8 lugares distintos, cada um fazendo par com outro, as chamadas antípodas, que são lugares opostos no globo terrestre, coisa difícil de encontrar  devido a imensa quantidade de água na superfície da Terra. Partindo dessa premissa, de retratar lugares geograficamente opostos, o diretor está livre para fazer o que quiser, fazer a câmera girar, saltar, voar. Realmente uma das coisas mais inovadoras que vi nos últimos tempos, e um tapa na cara de quem acha que fazer documentário é só acender uma câmera.

Em seguida, voltei a Cuba, com um pequena parada na escola, justo no dia das finais das olimpíadas eictvianas com direito a karaokê no rapidito. Claro, a cátedra de roteiro foi a vencedora na cantoria. Depois, fui a Cienfuegos, uma cidade a três horas daqui, alcançar meus companheiros de turma em um curso dado em um hotel de frente para o mar. Aí, com a ajuda de um grupo de teatro local que vive numa cidade nuclear que nunca terminou de ser construída (ainda bem, imagina a tragédia com a situação atual do país), provamos cenas do roteiro das nossas teses para ter idéias e voltar a escrever. Não me conectei muito com o curso porque cheguei com 3 dias de atraso, mas valeu a pena pela viagem, Cienfuegos é uma cidade linda, bem cuidada, e o mar por todos os lados...  O professor foi o simpaticíssimo argentino Federico Godfrid, mas sinto que onde aprendi mais a trabalhar com atores foi no curso do ano passado com a professora Catherin Coray e com o ator Haley Joel Osment.

 

A baía

 

A turma

 

Almoço do outro lado do hotel

 

Bienvenidos cuba socialista

 

Carlos trabalha com atrizes em Cienfuegos

 

Centro de Guadalajara

 

Companheiros

 

Fim do curso

 

La tortuga

 

Maria Elena e o professor relaxando

 

O teatro Terry

 

Olhando a cena

 

Os pássaros e o hotel Pasacaballos

 

Patana

 

Pegando a patana para almoçar (barquinho)

 

Praia com Maria

 

Damaris e eu

 

Doculabers

 

En la patana

 

Fim do curso

Por Gustavo Vinagre às 11h57

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Sobre o autor

Carioca paulistano, 24 anos, poeta do signo de Áries. Formado em Letras pela USP, agora estuda roteiro na Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Banos, Cuba.

Sobre o blog

Impressões sobre Cuba e relatos sobre o dia-a-dia na Escuela Internacional de Cine - os filmes que assistimos e discutimos, os exercícios, as festas, os alunos, os professores.